Resenha: A Ditadura Escancarada, de Elio Gaspari

Gaspari volume 2

Considero essa série sobre a ditadura brasileira escrita por Elio Gaspari excelente e uma referência para quem quer estudar esse período fundamental de nossa história. Isso não quer dizer, no entanto, que Gaspari não cometa erros ou que a série não tenha falhas óbvias. O primeiro volume explicava o processo do golpe (e não revolução) de 1964. Esse segundo volume concentra-se nos governos de Costa e Silva e de Médici.

É preciso avisar a quem lê essa resenha que Gapari não se propõe a explicar vários dos aspectos do governo militar como, por exemplo, a condução da economia ou alguma medida mais ou menos importante. A Ditadura Escancarada é um livro que contém uma narrativa interminável sobre guerrilhas, mortes e, principalmente, relatos de torturas. Creio que isso é muito importante para um estudo do período ainda que superficial no todo. [Read more…]

Resenha: O Outono da Idade Média, de Johan Huizinga

O outono da idade media

Clássica visão da Idade Média 
O livro revela os ideais da vida na corte na França e Países Baixos nos séculos XIV e XV. A visão do amor e da morte e os ideais da cavalaria; a vida religiosa e os seus excessos, que muitas vezes caem na superstição. Huizinga nota como a Igreja era tolerante com os mais estranhos desvios doutrinários. A parte mais famosa do livro é a que fala do sentimento estético. O melhor do espírito medieval foi preservado na pintura flamenga, mais do que na poesia. Há uma análise detalhada da obra de Van Eyck, e uma parte que mostra o desprezo de Michelangelo pela arte medieval, que ele não compreendia. [Read more…]

Resenha: Padre Cícero- Poder, Fé e Guerra no Sertão, de Lira Neto

Padre Cícero

Padre Cícero é uma das figuras mais reconhecidas e polêmicas do Nordeste. No livro de Lira Neto, podemos chegar à conclusão de que se tratava de um homem justo e honesto, no entanto, foi vítima de perseguições por parte da alta hierarquia da igreja muito por causa de um etnocentrismo mal-disfarçado. Lira Neto caracteriza o período no qual o padre Cícero frequentou o seminário como de uma leve rebeldia. Nada além do que os seminários enfrentavam frequentemente. Foi ordenado e seguiu para o sertão do Ceará. Passou a ser o centro das atenções da imprensa e do alto clero por causa de um fenômeno que passou a acontecer com uma das beatas que frequentavam suas missas. O nome dela era Maria Araújo, sendo negra e pouco instruída. O milagre alegado era que quando a beata comungava, a hóstia transformava-se em sangue. [Read more…]

A Guerra Civil Espanhola, de Antony Beevor

Antony Beevor

Ninguém deve esperar ter uma boa compreensão das causas que levaram ao conflito sangrento que foi a guerra civil espanhola ao ler este livro. Beevor é excelente ao descrever cenas de batalhas e também faz uma análise isenta das crueldades de ambos os lados do conflito. O que ficamos sabendo no livro é que a Espanha do século XX pouco tinha evoluído desde os tempos dos reis católicos. A expectativa de vida era a mesma ( 35 anos ), o analfabetismo era imenso ( 60% da população ) e a desigualdade era muito grande. Isso é claro levava a uma grande sensação de insatisfação por parte do povo. [Read more…]

Resenha: Fenomenologia do Espírito, de G.W.F. Hegel

FenomenologiaDoEspirito

A filosofia nasce do maravilhar-se, do espanto, e foi a partir destas capacidades que nasceram os grandes pensamentos de Tales de Mileto até Platão. Até aquele momento os filósofos buscavam inspirar os homens ao amor pela sabedoria. Eles expressavam seus pensamentos e permitiam que os mesmos percorressem livremente seu próprio caminho. Platão escreveu lindamente seus diálogos e toda sua obra foi preservada. Quando o lemos, nenhum tipo de sistema fechado pode ser detectado. Seus diálogos deixam várias questões em aberto e apresentam aporias ao leitor. Ele é poético, mas também quer ser científico; daí sua dialética que sobe em suas hipóteses até chegar aos Princípios, e dali desce. É um processo constante. [Read more…]

A Marcha do Golpe em 2014

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

Essa marcha pela família com Deus não passa de golpismo e histerismo. Qualquer tentativa de justificar uma revolta contra o governo por suas supostas simpatias pelo comunismo é puro reacionarismo. Não há por parte de Dilma qualquer ação que tenha como objetivo revolucionar as leis e ao Estado de direito. Eric Voegelin julgava necessário um golpe apenas quando o governante dizia-se enviado da História. John Rawls reconhecia que mesmo quando o presidente formula leis aparentemente injustas, a parte da população que se sente incomodada com tais leis não pode, por conta própria, dar início a uma revolução contra o governo. Para que uma marcha com essa intenção fosse válida, seus representantes teriam que demonstrar que Dilma está implantando uma real ditadura no Brasil, e já respondo que isso não é possível. O fantasma de um Terror Vermelho foi a desculpa que Hitler usou para tomar o poder na Alemanha, e com isso arrastou milhões de iludidos para o partido nazista- inclusive parte das igrejas católica e protestante. Percebo que muitos daqueles que aderiram ao medo do governo  petista no fundo não toleram uma população que vota em quem os desagrada, e acabam por demonstrar uma inegável nostalgia do governo militar. Esse governo funesto que dominou o Brasil por 21 anos foi o responsável por torturas, pelo aumento da violência, da favelização, pela destruição da escola pública (sim, os militares foram aqueles que formularam a tragédia educacional do Brasil); que não investiram nada nas universidades nem em escolas técnicas e que, por último,  deixaram um legado inflacionário e de endividamento que só agora foi controlado. Quem apoia essa marcha -que é golpista- tem a obrigação de provar que o governo atual não merece mais ser obedecido e justificar, filosoficamente e pelas leis, que ele merece ser derrubado. Se não for assim, que declarem abertamente que o que estão fazendo não é o mesmo processo revolucionário que julgam estar combatendo, apenas que o seu tem um lema diferente.

 

 A que vemos naquele que odeia em lugar de amar aquilo que julga ser nobre e bom, ao mesmo tempo que ama e acarinha o que julga ser mau e injusto. Essa falta de harmonia entre os sentimentos de dor e prazer e o discernimento racional é, eu o sustento, a extrema forma da ignorância e também a maior porque é pertinente à maior parte da alma, ou seja, aquela que sente dor e prazer, correspondente à massa populacional do Estado. Assim sempre que essa parte se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( conhecimento, opinião ou razão), chamo essa condição de estultícia seja num Estado ( quando as massas desobedecem aos governantes e as leis), seja num indivíduo ( quando os nobres elementos racionais que existem na alma não produzem nenhum bom efeito, mas precisamente o contrário). todas estas eu teria na conta das mais discordantes formas de ignorância, seja no Estado ou no indivíduo, e não a ignorância do artesão, se é que me entendeis, estrangeiros.” (Platão, As Leis)

Resenha: Ciência Nova, de Giambattista Vico

New Science

A Ciência Nova é um livro fantástico e otimista, no entanto é muito difícil de ler sem ter um grande conhecimento sobre filosofia, história e os mitos da Antiguidade. Resenhas sobre esse livro são poucas, portanto, creio que eu tenha uma relativa responsabilidade ao anunciar aos leitores desse artigo minhas impressões sobre o que li, e fazer ao mesmo tempo um breve resumo dessa obra.

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Júlio César, de William Shakespeare

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Uma das melhores obras de Shakespeare, Júlio César é a história de um grupo de conspiradores liderados por Cássio e Casca, que convencem um grande amigo de César, Bruto, a acompanhá-los em seu plano de assassinar o grande general romano.

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Resenha de A Montanha Mágica, de Thomas Mann

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Um Sonho do Humanismo

Thomas Mann escreveu, certamente, um livro magnífico, onde grande parte da mentalidade europeia do início do século XX encontra-se representada. Não é um livro de fácil leitura, tanto pela relativa lentidão em que os principais acontecimentos são narrados quanto pelos temas filosóficos que são mencionados. São esses últimos que mais me chamaram a atenção nesse livro.

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Resenha de O Presidente segundo o Sociólogo, uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso

O presidente segundo o sociólogo

 

O intelectual que mudou o país, Fernando Henrique Cardoso deu essa série de entrevistas a Roberto Pompeu de Toledo no final de 1997. Nesse livro, nosso ex-presidente fala sobre o Brasil-sua história e sociedade-, sobre sua família e questões que ainda hoje estão em debate no nosso país como a política sobre cotas, drogas e o tamanho do Estado. [Read more…]