Aspectos da ciência e da educação em Platão

22450152_1305379399573663_1954251053807708479_n

Os diálogos platônicos Protágoras, Sofista e Teeteto são referências fundamentais para compreendermos o modo como Platão entendia a ciência. Há milênios eles nos ensinam a melhor maneira de procuramos o avanço da ciência e do conhecimento, e nos servem de aviso sobre como não fazer ciência, uma vez que dois dos grandes obstáculos que o filósofo enfrenta são: uma “ciência” produzida por uma indução feita a partir dos dados dos sentidos, e o discurso, ou retórica, do sofista sobre o não-ser, que nada mais é do que uma aparência de sabedoria. [Read more…]

Anúncios

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

5601072406797

Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

[Read more…]

Resenha: Em Berço Esplêndido, de José Osvaldo de Meira Penna

em_berco_esplendido_1474386582128644sk1474386582b

Mais do que nunca, dada a crise no qual vivemos, faz-se necessária uma análise do que é o Brasil e o caráter de seu povo. Nós sempre vivemos à luz de falsas esperanças: a culpa era de Portugal, depois da monarquia, depois da oligarquia paulista, do estatismo de Vargas, dos delírios arquitetônicos de JK e dos militares. Com a chegada da democracia verdadeira e da Constituição de 1988, nada mais poderia nos deter! Falso. Durante a década de 2000 tínhamos certeza de que havia chegado nossa vez, ainda mais com a descoberta do pré-sal! Veio um desastre como nunca havíamos presenciado…seguimos assim, de decepção em decepção, mas sempre com alguma esperança de que algo mágico vá acontecer… [Read more…]

Carl Gustav Jung e o Problema do Mal no Livro de Jó

4a2934b1-9210-490d-937a-3e7acf2b49d0image1

Para realizarmos uma verdadeira investigação filosófica, ainda mais quando estamos diante do problema do Mal metafísico, precisamos estar preparados para as consequências que surgirão à nossa frente. Jung menciona essa preocupação durante sua brilhante e impactante obra Resposta a Jó. O tema do livro, ele sabe disso, já é suficiente para atrair a atenção de pessoas religiosas e/ou de teólogos, e como o filósofo René Guénon ensinava em uma das suas obras, a teologia envolve uma alta dose de emoção. De maneira alguma é fácil dialogar e debater com teólogos, e quando um autor inverte de certa maneira certas concepções que estavam arraigadas em nossa psique durante séculos, pode-se esperar respostas violentamente passionais. Pelo menos é o que Jung imaginava. [Read more…]

Resenha: O Homem e seus Símbolos, de Carl Gustav Jung

o-homem-e-seus-simbolos imagem

O Homem e seus Símbolos é um livro que reúne capítulos escritos por Jung e alguns de seus principais discípulos. Trata-se de uma obra que dedica-se ao estudo dos símbolos dos sonhos, da arte, dos mitos e do conceito junguiano da anima e do animus. O primeiro capítulo do livro foi escrito por Jung e é uma espécie de aula resumida de seu conceito de inconsciente para um público leigo. Quem leu Arquétipos e o Inconsciente coletivo vai ter uma melhor compreensão do que está exposto nessa obra. [Read more…]

Resenha: Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, de Carl Gustav Jung

jung03

Os arquétipos de Jung são formas que existem a priori e não derivam da experiência sensível. O psiquiatra suíço rejeitava a tábula rasa de Aristóteles e Locke, que acreditavam que todo o conhecimento era proveniente da experiência. Toda a forma de conhecimento que deriva do inconsciente coletivo é chamada por Jung de arquétipo. Essa ideia tem origem na filosofia platônica que Jung fundiu com as formas a priori kantianas. No livro, esses arquétipos podem ser a figura do pai, da mãe, do velho sábio, do trickster, do mago e do herói. Dois arquétipos do inconsciente  a que Jung também dá muita ênfase é a anima e o animus, que são o interior da personalidade do homem e da mulher respectivamente. Durante todo o livro, o conhecimento que Jung possui da filosofia ocidental e oriental, da alquimia, do gnosticismo e da literatura adulta e infantil é assombroso. Diversos exemplos de um inconsciente coletivo são oferecidos ao leitor. [Read more…]

A Filosofia, a ideia de liberdade e o problema do Mal

922c341e0e98da6ab7cfdbc090ea3772

“Porque não devemos dizer que a liberdade de vontade obteve o poder que possui no universo para a destruição, mas para a salvação de quem a possui.”

Proclo Lício, o Sucessor

Abordar o tema da liberdade em filosofia é algo que exige uma reflexão que parece nunca ter fim. O livre-arbítrio humano, se ele existe ou não, se somos um sistema fechado ou aberto, se podemos recriar-nos ou se somos determinados, sempre forneceu material para abordagens maravilhosas como para sofismas abomináveis. Temos além disso a liberdade política, liberdade de religião, liberdade sexual, etc. É impossível mencionar todos esses temas sem incluir Teologia e religião no meio. Liberdade é algo que todos falam, mas poucos querem exercê-la, ou mesmo sabem como fazer isso. É necessário responsabilidade individual e uma poderosa metafísica por detrás para que a liberdade apareça. [Read more…]

Resenha: Tipos Psicológicos, de Carl Gustav Jung

Jung

 

Estudei muitas matérias de psicologia na faculdade, mesmo assim não creio que estou qualificado para fazer uma análise mais profunda da obra de Jung devido à sua complexidade. Tipos psicológicos foi o primeiro livro que li do psiquiatra suíço. A tese de Jung é sobre dois tipos de personalidade: a extrovertida e a introvertida. No começo do livro ele faz uma comparação entre esses dois tipos de personalidade fazendo um estudo sobre a vida de alguns personagens históricos. Somente no capítulo X, ou seja, no final do livro, é que Jung divide as personalidades extrovertida e introvertida em alguns subgrupos. Ali é que ele escreve sobre suas concepções da psique humana em seus próprios termos. Antes de finalizar esse livro, Jung escreveu uma espécie de dicionário esclarecendo diversos termos de psicologia para quem quiser melhor compreender seu pensamento. Isso é muito útil para quem é novo nessa ciência.

Achei a parte puramente filosófica mais interessante do que a parte psicológica da segunda metade do livro. Nela, Jung expressa suas opiniões sobre temas como o debate medieval sobre a questão dos universais, que levou a um confronto entre nominalistas e realistas. O que percebi é que Jung não compreendia ( e não tinha simpatia) por uma filosofia e teologia que fossem ortodoxas. Ele claramente está do lado daqueles que foram rejeitados pela Igreja como Orígenes, Abelardo, Mestre Eckhart, etc. Jung seleciona esses personagens históricos e os define segundo seus critérios como extrovertidos ou introvertidos. A respeito dessas classificações, elas não parecem ter a mesma importância que o capítulo X.  Esse último acaba por definir entre introvertidos e extrovertidos homens e mulheres do mundo moderno em um sentido geral. Jung tem predileção por elementos gnósticos e fantasiosos ( irracionais) do pensamento de Mestre Eckhart, do Hinduísmo e de Nietzsche. É claro que a psicologia de Jung valoriza muito, eu creio, a fantasia e a gnose; no entanto, para quem está acostumado com os termos racionais da filosofia, isso pode parecer estranho. A psicanálise freudiana é vista por Jung como uma forma de repressão ao elemento fantasioso e de supervalorização da sexualidade. Existe uma passagem no Fausto de Goethe que Jung cita e que pode exprimir o que ele pensa. Fausto diz: ” o sentimento é tudo”. O elemento fantasioso faz parte da natureza humana para Jung. Entretanto, a fantasia só possui valor se transformada em matéria-prima aproveitável, ele diz.A divisão final entre tipos irracionais e racionais, tipo perceptivo extrovertido, tipo intuitivo extrovertido, entre outros, é interessante, porém, eu não compreendi essa parte.Gnosticismo, elementos bíblicos e mitológicos, e obras poéticas alemãs ajudam a tornar o livro de agradável leitura. Tudo isso é uma antecipação para a tese final de Jung sobre os tipos psicológicos.