Resenha: Sagarana, de João Guimarães Rosa

fdfdf

Sagarana é o romance inaugural de Guimarães Rosa publicado em 1946, dez anos antes de Grande Sertão: Veredas. Nos diversos contos que fazem parte do livro, Rosa reproduz a linguagem do homem simples do sertão brasileiro, mas com a característica incomum em escritores brasileiros de tentar alcançar o universal, ou seja, de falar de temas presentes no espírito da humanidade em qualquer canto do mundo. [Read more…]

Resenha: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

recordacoes-do-escrivao-isaias

Lima Barreto foi um dos nossos grandes escritores, e sua obra pode ser considerada extremamente atual para os nossos dias. De linguagem simples, sem pedantismos, Lima Barreto sempre denunciou duas coisas que são verdadeiras pragas da vida do brasileiro: o racismo e a mediocridade. [Read more…]

Resenha: Là-bas, de Joris-Karl Huysmans

la-bas-by-jk-huysmans

Resenha escrita a partir da edição original em francês.

Pouco conhecido no Brasil, o escritor francês Jori-Karl Huysmans colocou na forma de romance sua descida pessoal aos subterrâneos não somente da sociedade francesa do século XIX, mas também da própria alma humana. O romance Là-bas reproduz o tema do satanismo e sua presença em um mundo moderno já tomado pelo Positivismo. Aliás, o século XIX foi o século otimista e racionalista por natureza, mas a presença de algumas trevas da Idade Média ainda se faziam presentes. [Read more…]

Resenha: Finnegans Wake, de James Joyce

442140

Riverrun, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs.” Essas misteriosas palavras marcam o início da mais difícil obra da literatura mundial. Não cometo nenhum exagero ao enfatizar essa dificuldade. Mesmo os grandes críticos de vários países dificilmente chegam a uma conclusão satisfatória sobre o significado dessa obra escrita entre 1922 e 1939 por James Joyce. Se seu Ulisses já era complicado, em Finnegans Wake tudo fica ainda mais complexo. [Read more…]

Resenha: Número Zero, de Umberto Eco

imagem número zero

O novo romance de Umberto Eco denuncia o fenômeno mundial do mau uso do jornalismo, no entanto parece ter sido escrito tendo como exemplo o jornalismo brasileiro. Da mesma forma que alguns outros livros do autor, o Número Zero descreve uma pequena conspiração- apesar de que Eco sempre tenta minimizar ou ridicularizar teses conspiracionistas- de alguns jornalistas que lançam um novo jornal, na Itália no ano de 1992, que tem o nome que dá título ao livro.

Eco é muito bom no uso da ironia em vários momentos, pois os personagens são caricaturas dos jornalistas atuais. Ele atualmente reflete sobre como a internet deu voz aos idiotas que tempos atrás não teriam como se expressar. O Número Zero seria uma pré-história dessa manifestação do que há de pior em termos de notícia e opinião. O que os editores desse jornal desejam fazer é manipular os leitores simplesmente lançando teorias as mais absurdas mas com ar de verossimilhança. Para isso não vacilam em usar chavões e frases feitas que tornam mais fácil a assimilação dessas falsidades por parte do leitor. [Read more…]

Resenha: A era de T.S.Eliot, de Russell Kirk

zoom_era_ts_eliot_3

T.S. Eliot não foi somente um dos grandes poetas do século XX e da língua inglesa, mas também um conservador no melhor sentido da palavra e um ser humano excepcional. Sua história é narrada por um dos expoentes do conservadorismo norte-americano, Russell Kirk, que além de conhecer profundamente a obra do poeta, também conheceu Eliot pessoalmente. Isso garante ao livro uma grande sinceridade tanto nos elogios como igualmente na defesa que o autor faz das crenças de Eliot contra os ataques da esquerda política. [Read more…]

Resenha: The Demon (O Demônio), de Hubert Selby Jr

the demon

Impressionante e assustador. Essas duas palavras são as que melhor definem o livro de Hubert Selby Jr, “The Demon”, que é um clássico do autor sem tradução em português. Selby Jr tem um estilo peculiar de escrita no qual ele não usa aspas ou, por exemplo, travessão, quando algum personagem vai iniciar alguma fala. Seu inglês é simples, apesar de que algumas expressões idiomáticas tornam a leitura um pouco difícil em algumas passagens.  Ele também foi o autor do livro “Requiem for a Dream” levado ao cinema no ano 2000, e que teve o título no Brasil de “Réquiem para um Sonho”. Selby Jr ficou conhecido por abordar o submundo da sociedade americana, mas isso não deve enganar quem lê The Demon, pois aqui o autor conseguiu alcançar um nível de profundidade que fala ao Homem de todas as épocas. [Read more…]

Resenha: Dante e a Filosofia, de Étienne Gilson

Dante e a Filosofia imagem

A Divina Comédia de Dante Alighieri é o maior e mais belo poema já escrito, e, desde que o li há muitos anos, considero-o meu livro favorito. Quem o lê sabe que é um livro muito complexo e cheio de referências à filosofia e à teologia. Várias passagens até são explicadas nas versões da Comédia que lemos, mas a maior parte das sutilezas e polêmicas de Dante é ignorada. O livro Dante e a Filosofia de Étienne Gilson vai muito além de explicações sobre a Divina Comédia especificamente, mas faz um estudo amplo sobre as ideias políticas e filosóficas do poeta florentino. O livro de Gilson é antigo, mas não está datado e continua a ser uma referência para o estudo de Dante. [Read more…]

Resenha: Retrato do artista quando jovem, de James Joyce

James Joyce portrait

Stephen Dedalus diz à sua mãe que não poderá seguir a vocação de padre. Ele descobriu uma nova e grandiosa missão em sua vida: a de criar uma nova e poderosa mitologia para o povo irlandês. [Read more…]

Resenha: Ulisses, de James Joyce

James_Joyce_by_Alex_Ehrenzweig,_1915_restored

Ulisses é um romance extremamente complexo escrito por James Joyce e publicado em 1922. O livro supostamente é uma recriação moderna da Odisseia de Homero. Leopold Bloom é o Odisseu do século XX em busca de sua Penélope. Ele é o heroi judeu em uma Irlanda católica. Em um dia de 1904, ele sai de casa junto com seu amigo Stephen Dedalus. O objetivo de Bloom é retornar ao fim do dia para a sua casa e sua esposa. O enredo parece simples, mas a linguagem que Joyce emprega torna a leitura uma árdua tarefa que requer uma certa experiência e um amplo vocabulário. Durante o desenvolvimento do romance, Joyce faz inúmeras criações de novas palavras e utiliza um vocabulário enorme, que ultrapassa mais de 265.000 palavras. A cada página o romance tem uma reviravolta, pois o autor inventa diversas situações que não estão ligadas necessariamente às anteriores. Ulisses é uma experiência fantástica de linguagem e imaginação. [Read more…]