Resenha: Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

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Considero que Lima Barreto deveria ser muito mais valorizado em nossa literatura. De linguagem simples, mas com uma visão atual do país à frente da imensa maioria dos escritores brasileiros (Graciliano Ramos é parecido com ele), seu romance Triste Fim de Policarpo Quaresma é uma crítica engraçada- mas ao mesmo tempo, profunda, da nossa burocracia e da nossa mediocridade. [Read more…]

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Resenha: Quincas Borba, de Machado de Assis

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Quincas Borba é, em minha opinião, o livro mais triste de Machado de Assis. Sabemos que o autor brasileiro era bastante pessimista em relação à natureza humana, e foi muito influenciado pela filosofia de Arthur Schopenhauer. Neste livro o pessimismo se aplica às filosofias que pretendem nos convencer de estamos rumo a um progresso e que tudo tem sua razão de ser. O século XIX foi a era da fé no progresso da técnica e da ciência. Hegel, Comte, Marx e Darwin foram otimistas o suficiente para acreditaram em evolução e transformação. Machado de Assis cria o personagem de Quincas Borba para representar esta tendência otimista de sua época e, no caso, especialmente o positivismo de Comte que tanta influência teve no Brasil. [Read more…]

Resenha: O Nome da Rosa, de Umberto Eco

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O século XIV representou uma época de revoluções no pensamento e na tecnologia. Os óculos, o relógio mecânico e o uso militar mais disseminado da pólvora são daquele período. Na filosofia, após séculos de debates sobre a questão dos Universais, o Nominalismo tornar-se-ia dominante. Muito do destino da ciência moderna foi estabelecido a partir das ideias de Guilherme de Ockham. O romance de Umberto Eco, O Nome da Rosa, é a grande referência literária sobre um século tão catastrófico e inovador. [Read more…]

Uma reflexão atual a partir de um poema de W. H. Auden

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Man is changed by his living; but not fast enough. His concern to- day is for that which yesterday did not occur.

W.H.Auden, Selected Poems.

O grande poeta inglês Auden soube de maneira extraordinária, como todo gênio poético, colocar em versos os dramas do século XX. Faz-se necessário, mais do que nunca, que apareça algum poeta que saiba (especialmente no Brasil) captar nossas desgraças que, se não matam os corpos na escala do século XX, destroem nossas almas, nossa cultura e nosso futuro.

Auden possui um poema que é exemplar para que possamos exprimir nosso sentimento atual: chama-se  September 1, 1939, sobre a Segunda Guerra. Reproduzo-o a seguir: [Read more…]

Resenha: Turbilhão, de Coelho Neto

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Coelho Neto é um escritor há muito tempo pouco conhecido e divulgado, porque foi tido já em seu tempo como ultrapassado. Em Turbilhão, os méritos do autor tornam-se evidentes pela excelente qualidade da escrita. É um romance muito agradável de se ler, apesar de que considero que o final poderia ter sido melhor. Não é difícil entender, porém, o porquê de Coelho Neto ter sido muito combatido, pois o tipo de vocabulário que o mesmo usa é bem pouco usual, mas que também não chega a ser dos mais complexos. Trata-se de uma linguagem muito culta, pouco acessível já em tempo, e mais ainda no nosso, haja visto o pouco hábito de leitura do povo em geral; no entanto, apesar dessas dificuldades, acredito que o estilo de Coelho Neto funciona perfeitamente no romance. O autor é classificado como impressionista, dando ênfase às sensações, luzes, estado da alma- que ele emprega realmente várias vezes no livro. [Read more…]

Resenha: O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

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Um livro com múltiplas possibilidades de interpretação, O Jogo da Amarelinha, do grande escritor argentino Julio Cortázar, é uma das grandes obras da literatura latino-americana. Lembrou-me levemente de O Aleph, de Jorge Luis Borges, por seu estilo de histórias fora de ordem e que surgem ao acaso. Apesar de considerar este livro de Cortázar bastante desafiador, o que para mim é sempre estimulante, nem de longe é comparável a uma obra de James Joyce. [Read more…]

Resenha: A Relíquia, de Eça de Queiroz

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O grande escritor português Eça de Queiroz, que considero superior a Machado de Assis, foi bastante polêmico e ousado em seu romance A Relíquia. Em sua época, muito influenciado pela obra de Ernest Renan “Vida de Jesus”, que recriava a narrativa do Evangelho sem os aspectos sobrenaturais, a obra de Eça de Queiroz serviria de base também para outro escritor português, José Saramago, em seu livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. A Relíquia denuncia uma sociedade falsamente religiosa, no qual o parecer ser é mais importante do que ser. [Read more…]

Resenha: Sagarana, de João Guimarães Rosa

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Sagarana é o romance inaugural de Guimarães Rosa publicado em 1946, dez anos antes de Grande Sertão: Veredas. Nos diversos contos que fazem parte do livro, Rosa reproduz a linguagem do homem simples do sertão brasileiro, mas com a característica incomum em escritores brasileiros de tentar alcançar o universal, ou seja, de falar de temas presentes no espírito da humanidade em qualquer canto do mundo. [Read more…]

Resenha: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

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Lima Barreto foi um dos nossos grandes escritores, e sua obra pode ser considerada extremamente atual para os nossos dias. De linguagem simples, sem pedantismos, Lima Barreto sempre denunciou duas coisas que são verdadeiras pragas da vida do brasileiro: o racismo e a mediocridade. [Read more…]

Resenha: Là-bas, de Joris-Karl Huysmans

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Resenha escrita a partir da edição original em francês.

Pouco conhecido no Brasil, o escritor francês Jori-Karl Huysmans colocou na forma de romance sua descida pessoal aos subterrâneos não somente da sociedade francesa do século XIX, mas também da própria alma humana. O romance Là-bas reproduz o tema do satanismo e sua presença em um mundo moderno já tomado pelo Positivismo. Aliás, o século XIX foi o século otimista e racionalista por natureza, mas a presença de algumas trevas da Idade Média ainda se faziam presentes. [Read more…]