A filosofia platônica de Gemisto Plethon

26196322_1376374789140790_912595534810628925_n

Jorge Gemisto  Γεώργιος Γεμιστός (1355/1452), filósofo bizantino da Renascença, depois chamado de Plethon Πλήθων, em homenagem à sua imensa admiração por Platão, é uma grata surpresa na história da filosofia. Mesmo com o poderoso exército otomano diante dos portões de Constantinopla quis, nada mais nada menos, reviver a antiga religião grega e recusou o Cristianismo. Defendeu abertamente a superioridade da filosofia de Platão sobre a de Aristóteles e considerava que o Cristianismo era a principal causa da decadência do Império. [Read more…]

Anúncios

Resenha: Timeu, de Platão

a_mach_space_eclipsepath_170124

 

“Um, dois, três, porém o quarto Timeu, o último dos que ontem festejei aqui, e que me convidaram, onde está?”

Εἷς͵ δύο͵ τρεῖς· ὁ δὲ δὴ τέταρτος ἡμῖν͵ ὦ φίλε Τίμαιε͵ ποῦ τῶν χθὲς μὲν δαιτυμόνων͵ τὰ νῦν δὲ ἑστιατόρων

As palavras iniciais deste que é um dos diálogos mais inspiradores de Platão têm um significado muito maior e misterioso do que aparenta como veremos.

O universo de Platão é uma verdadeira obra da bondade Divina que o governa com sua providência, e cuja face está sendo sempre renovada; no entanto, é difícil de ser encontrado, e mais difícil ainda é comunica-Lo aos seres humanos. Não importa muito se Platão acreditava literalmente no Mito que coloca na boca do pitagórico Timeu. Como ele mesmo escreve, vai produzir um discurso verossímil, e invoca o deus para que do seu relato saia a verdade. [Read more…]

Resenha: a República, de Platão

teach_greece

 

Somos como seres que tateiam no escuro durante a noite, quando não há mais o Sol, debatendo uns com os outros a respeito de sombras que passam diante de nossas vistas como em um relâmpago. A caverna seria o mundo, e os prisioneiros todos nós se não fizermos a verdadeira conversão de nossa vista e de nosso corpo para a luz do Sol, o filho do Bem, pois assim vemos que possuímos uma visão clara. Toda a República de Platão é um grande esforço para elevar-nos à verdadeira ciência da dialética, das hipóteses e ao domínio do Inteligível. Além disso, Platão faz neste diálogo uma apresentação de seu projeto educacional que está articulado com sua visão teológica. [Read more…]

Resenha: Político, de Platão

alexander-the-great-copy

Um dos grandes momentos da filosofia de Platão é a busca por uma definição do sofista, do político e do filósofo. Platão jamais escreveu um diálogo chamado de Filósofo, isso porque a definição de filósofo está já contida dentro do diálogo Sofista. No Político, o grande filósofo ateniense deseja ter um entendimento a quem caberia a arte de governar, o que permite uma articulação com seu diálogo A República. [Read more…]

Aspectos da ciência e da educação em Platão

22450152_1305379399573663_1954251053807708479_n

Os diálogos platônicos Protágoras, Sofista e Teeteto são referências fundamentais para compreendermos o modo como Platão entendia a ciência. Há milênios eles nos ensinam a melhor maneira de procuramos o avanço da ciência e do conhecimento, e nos servem de aviso sobre como não fazer ciência, uma vez que dois dos grandes obstáculos que o filósofo enfrenta são: uma “ciência” produzida por uma indução feita a partir dos dados dos sentidos, e o discurso, ou retórica, do sofista sobre o não-ser, que nada mais é do que uma aparência de sabedoria. [Read more…]

Sobre a filosofia de Aristóteles segundo Werner Jaeger

cuddeback2

Devemos reconhecer que existe algo de extraordinário ao lermos o Aristóteles de Werner Jaeger (como também as interpretações neoplatônicas do Estagirita): vermo-nos livres de abordagens dogmáticas e mistificadoras de apologistas católicos (jesuítas, tomistas e neotomistas)! [Read more…]

A Dialética em busca da Verdade

220px-Hegel_portrait_by_Schlesinger_1831

“Então Hegel pode justificadamente dizer que este mundo é “pervertido” (verkehrt) em si mesmo, a perversão de si mesmo, porque não é meramente o oposto. O verdadeiro mundo, ao contrário, é ao mesmo tempo a verdade projetada como um ideal e sua própria perversão. Agora se temos em mente também que um dos principais objetivos da sátira é expor a hipocrisia moral, a inverdade do mundo como ele é supostamente para ser, a verdadeira mordacidade do verkehrt torna- se aparente. A perversão da verdadeira realidade torna-se visível atrás da sua frente falsa desde que em todas as instâncias satíricas o retrato é “o oposto em si mesmo”, seja se isso tome a forma de um exagero, a inocência em contraste com a hipocrisia, ou seja o que for.


[Read more…]

Proclo e a demonstração da existência dos entes matemáticos

proclus imagem

A filosofia platônica é extremamente rica em analogias matemáticas que sempre impressionaram quase todos aqueles que a estudam. Um filósofo famoso que não ficou muito impressionado com tudo isso foi Aristóteles. Sua aversão à matemática da filosofia de Platão foi transportada para sua obra Metafísica. É bem conhecida sua recusa a admitir a existência dos Entes Matemáticos intermediários. Aristóteles, e seu discípulo medieval São Tomás de Aquino, não conseguem conceber a matemática como sendo independente da matéria. [Read more…]

Platão e o problema dos Universais

Platão busto

O problema dos universais teve duas visões que moldaram todas as discussões posteriores. A opinião de Aristóteles é de que os Universais participam no sensível, e não existem separados dele como Platão acreditava. Esse último acreditava, de acordo com São Tomás, que o Homem não existiria em coisas particulares, mas a Ideia do homem seria separada de qualquer particular. Aristóteles rejeitava a definição do Universal como sendo uma substância, mas dizia que o Universal é conhecido através da experiência sensível de objetos particulares. Porfírio dizia que os Universais de Aristóteles são incorpóreos, mas estão juntos ao sensível. [Read more…]

O princípio de individuação na tradição platônica e aristotélica

Platão busto

Um dos temas mais fascinantes em filosofia é a questão do princípio de individuação. Nesse artigo, vou abordar como cinco filósofos enfrentaram esse problema e suas respectivas soluções. São eles: Platão, Aristóteles, Proclo, Tomás de Aquino e Duns Scotus.

Pretendo começar por Aristóteles e São Tomás, porque os dois possuem uma opinião parecida e contrária à de Platão, Proclo e Duns Scotus. [Read more…]