Resenha: O Capital no século XXI, de Thomas Piketty

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O Capital no Século XXI é o mais importante e mais discutido livro sobre economia escrito nas últimas décadas. O economista francês Thomas Piketty fez o possível para demonstrar sua tese sem cair no uso abusivo de termos excessivamente técnicos e utiliza bem pouco a matemática. Tudo isso permite uma leitura muito agradável dessa obra que pretende oferecer algumas soluções para alguns dos problemas mais graves do capitalismo. [Read more…]

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Resenha: História das Ideias Políticas- Volumes II e III- Idade Média, de Eric Voegelin

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Sempre gostei muito da história medieval e procurava ler e estudar sobre esse período a partir de alguns autores como Huizinga, Le Goff e Régine Pérnoud. O problema sempre foi que alguns dos aspectos mais importantes sobre a Idade Média, que são a Teologia e a Filosofia, não eram tão enfatizados assim por aqueles autores. Lendo a História das Ideias Políticas Volume II e III de Eric Voegelin, que abordam a Alta Idade Média e a Idade Média Tardia respectivamente, esse período de fundamental importância para a Europa fica muito mais compreensível.

Com a queda do império romano, o Ocidente caiu em um período de “trevas” que só não foi pior porque havia a igreja católica para iluminar o que restava de civilização. O livro de Voegelin pretende explicar a gênese de algumas das ideias políticas que prevaleceriam na Cristandade e até mesmo na política do século XX. Muito do poder que a Igreja viria a possuir pode ser explicado pelo fato de que ela representava o que havia de mais alta cultura e civilização no Ocidente, enquanto que em Bizâncio essa tarefa foi incorporada no império, e não na Igreja do Oriente. [Read more…]

Resenha: A Ditadura Escancarada, de Elio Gaspari

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Considero essa série sobre a ditadura brasileira escrita por Elio Gaspari excelente e uma referência para quem quer estudar esse período fundamental de nossa história. Isso não quer dizer, no entanto, que Gaspari não cometa erros ou que a série não tenha falhas óbvias. O primeiro volume explicava o processo do golpe (e não revolução) de 1964. Esse segundo volume concentra-se nos governos de Costa e Silva e de Médici.

É preciso avisar a quem lê essa resenha que Gapari não se propõe a explicar vários dos aspectos do governo militar como, por exemplo, a condução da economia ou alguma medida mais ou menos importante. A Ditadura Escancarada é um livro que contém uma narrativa interminável sobre guerrilhas, mortes e, principalmente, relatos de torturas. Creio que isso é muito importante para um estudo do período ainda que superficial no todo. [Read more…]

Resenha: História das ideias políticas- Volume I, de Eric Voegelin

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Desde a Queda do homem toda filosofia ou teoria política pode visar apenas atenuar os efeitos da maldade e do egoísmo intrínseco à Humanidade. Essa foi a sábia conclusão a que chegou o pensamento cristão desde a Era Patrística. Toda solução política não é definitiva e está sujeita ao desastre pela própria imperfeição dos homens e mulheres. Mesmo Platão já havia fracassado em sua atividade política, e em seu diálogo A República fica claro que todo o filósofo deve exercer a política e a atividade educativa para ensinar ao povo o Bem contemplado após sua libertação da caverna. Isso implica que ele deverá enfrentar a incompreensão da sociedade e manterá sua alma tranquila para um possível sacrifício da sua própria vida por parte de quem tem o poder. Foi o que aconteceu com Sócrates. [Read more…]

A Marcha do Golpe em 2014

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

Essa marcha pela família com Deus não passa de golpismo e histerismo. Qualquer tentativa de justificar uma revolta contra o governo por suas supostas simpatias pelo comunismo é puro reacionarismo. Não há por parte de Dilma qualquer ação que tenha como objetivo revolucionar as leis e ao Estado de direito. Eric Voegelin julgava necessário um golpe apenas quando o governante dizia-se enviado da História. John Rawls reconhecia que mesmo quando o presidente formula leis aparentemente injustas, a parte da população que se sente incomodada com tais leis não pode, por conta própria, dar início a uma revolução contra o governo. Para que uma marcha com essa intenção fosse válida, seus representantes teriam que demonstrar que Dilma está implantando uma real ditadura no Brasil, e já respondo que isso não é possível. O fantasma de um Terror Vermelho foi a desculpa que Hitler usou para tomar o poder na Alemanha, e com isso arrastou milhões de iludidos para o partido nazista- inclusive parte das igrejas católica e protestante. Percebo que muitos daqueles que aderiram ao medo do governo  petista no fundo não toleram uma população que vota em quem os desagrada, e acabam por demonstrar uma inegável nostalgia do governo militar. Esse governo funesto que dominou o Brasil por 21 anos foi o responsável por torturas, pelo aumento da violência, da favelização, pela destruição da escola pública (sim, os militares foram aqueles que formularam a tragédia educacional do Brasil); que não investiram nada nas universidades nem em escolas técnicas e que, por último,  deixaram um legado inflacionário e de endividamento que só agora foi controlado. Quem apoia essa marcha -que é golpista- tem a obrigação de provar que o governo atual não merece mais ser obedecido e justificar, filosoficamente e pelas leis, que ele merece ser derrubado. Se não for assim, que declarem abertamente que o que estão fazendo não é o mesmo processo revolucionário que julgam estar combatendo, apenas que o seu tem um lema diferente.

 

 A que vemos naquele que odeia em lugar de amar aquilo que julga ser nobre e bom, ao mesmo tempo que ama e acarinha o que julga ser mau e injusto. Essa falta de harmonia entre os sentimentos de dor e prazer e o discernimento racional é, eu o sustento, a extrema forma da ignorância e também a maior porque é pertinente à maior parte da alma, ou seja, aquela que sente dor e prazer, correspondente à massa populacional do Estado. Assim sempre que essa parte se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( conhecimento, opinião ou razão), chamo essa condição de estultícia seja num Estado ( quando as massas desobedecem aos governantes e as leis), seja num indivíduo ( quando os nobres elementos racionais que existem na alma não produzem nenhum bom efeito, mas precisamente o contrário). todas estas eu teria na conta das mais discordantes formas de ignorância, seja no Estado ou no indivíduo, e não a ignorância do artesão, se é que me entendeis, estrangeiros.” (Platão, As Leis)

Júlio César, de William Shakespeare

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Uma das melhores obras de Shakespeare, Júlio César é a história de um grupo de conspiradores liderados por Cássio e Casca, que convencem um grande amigo de César, Bruto, a acompanhá-los em seu plano de assassinar o grande general romano.

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O conceito de justiça em John Rawls e o direito das minorias

Movimento Gay

Em sua obra Uma Teoria da Justiça, Rawls preocupa-se muito com a tirania de um grupo majoritário e o poder que ele possa ter de oprimir grupos de minorias. Para buscar uma solução para esses casos, o filósofo americano parte do princípio do contrato social, onde todos entram em acordo sobre as regras do jogo antes do início. Parte-se de uma situação de igualdade e todos aceitam que um grupo não pode dominar o outro com base nos números de adeptos de uma ou outra posição.

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As características da pólis ( madîna) no islã: a visão de Al-Farabi

Madina

Abu Nasr al- Farabi foi um filósofo muçulmano de provável origem turca que foi o segundo filósofo de língua árabe depois de al-Kindi a ter como base de seu pensamento a filosofia grega de Platão e Aristóteles. Seu livro sobre a Política apareceu no mundo islâmico no século X quando a Europa ainda estava longe de fazer semelhante debate sobre os regimes políticos e as cidades. As reflexões de Al-Farabi estão contidas no seu livro Kitâb Al- Siyâsa Al- Madaniyya. Nele há um início que fala sobre a constituição dos seres de acordo com a filosofia aristotélica. A causa primeira e as causas segundas, assim como o intelecto agente são definidos por Al-Farabi, O intelecto agente é chamado por ele de Espírito Santo, sendo que essa terminologia também seria usada por Avicena mais tarde. A forma e a matéria são explicadas à maneira da filosofia grega como ato e potência. “Quando não existem formas, a existência da matéria é vã”. A matéria é o princípio e a causa, mas existe para sustentar a forma. Al-Farabi explica isso pela visão: essa é a substância, o olho é a sua matéria e a maneira como vê é a sua forma. Toda a cosmografia desse filósofo é tirada de Aristóteles e Ptolomeu. Os corpos celestes que influenciam a vida aqui na Terra, a política e a cidade. Determinada localização favorece uma cidade com mais ou menos liberdade e com essas ou aquelas características. Toda essa introdução é necessária, pois Al-Farabi não diferencia sua filosofia de sua política. Influenciado pela filosofia grega e bem pouco muçulmano nesse aspecto, Al-Farabi define à felicidade como o bem absoluto. Nessa parte a filosofia política de Aristóteles e Platão se alternam na mente do filósofo turco. Ele aceita a definição do homem como animal político e que se une para alcançar o maior bem para si e para sua comunidade. Agora vamos partir para as cidades.

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Resenha de O Presidente segundo o Sociólogo, uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso

O presidente segundo o sociólogo

 

O intelectual que mudou o país, Fernando Henrique Cardoso deu essa série de entrevistas a Roberto Pompeu de Toledo no final de 1997. Nesse livro, nosso ex-presidente fala sobre o Brasil-sua história e sociedade-, sobre sua família e questões que ainda hoje estão em debate no nosso país como a política sobre cotas, drogas e o tamanho do Estado. [Read more…]

Resenha de From Dictatorship to Democracy, de Gene Sharp

Gene Sharp

Como derrubar ditaduras

Gene Sharp é um dos cientistas políticos mais famosos do mundo e esse livro o tornou célebre e odiado em muitos países no mundo, países esses ,é óbvio, que vivem sob ditaduras.  Da ditadura à democracia é um livro de leitura rápida (eu mesmo li em menos de 2 horas). Sharp não usa de metáforas ou de circunlóquios para expor o seu pensamento, uma vez que desde a primeira página ele já explica como um ditador pode ser deposto. Nem é preciso discutir se seu método funciona, basta olharmos a recente primavera árabe que foi em grande parte influenciada por esse livro. Vou fazer uma pequena análise sobre alguns dos métodos que ele propõe durante essa obra.

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