Resenha: Sagarana, de João Guimarães Rosa

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Sagarana é o romance inaugural de Guimarães Rosa publicado em 1946, dez anos antes de Grande Sertão: Veredas. Nos diversos contos que fazem parte do livro, Rosa reproduz a linguagem do homem simples do sertão brasileiro, mas com a característica incomum em escritores brasileiros de tentar alcançar o universal, ou seja, de falar de temas presentes no espírito da humanidade em qualquer canto do mundo. [Read more…]

Resenha: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

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Lima Barreto foi um dos nossos grandes escritores, e sua obra pode ser considerada extremamente atual para os nossos dias. De linguagem simples, sem pedantismos, Lima Barreto sempre denunciou duas coisas que são verdadeiras pragas da vida do brasileiro: o racismo e a mediocridade. [Read more…]

Resenha: Là-bas, de Joris-Karl Huysmans

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Resenha escrita a partir da edição original em francês.

Pouco conhecido no Brasil, o escritor francês Jori-Karl Huysmans colocou na forma de romance sua descida pessoal aos subterrâneos não somente da sociedade francesa do século XIX, mas também da própria alma humana. O romance Là-bas reproduz o tema do satanismo e sua presença em um mundo moderno já tomado pelo Positivismo. Aliás, o século XIX foi o século otimista e racionalista por natureza, mas a presença de algumas trevas da Idade Média ainda se faziam presentes. [Read more…]

Resenha: The Destruction of Reason, de György Lukács

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O historiador de origem húngara John Lukacs, compatriota do filósofo György Lukács, em seu livro O Hitler da História, afirma que The Destruction of Reason é o livro mais fraco do filósofo húngaro de inegável talento. O historiador Lukacs é confessadamente conservador, ao contrário do filósofo Lukács, que foi um dos grandes intelectuais do marxismo. Não conheço em toda sua extensão a obra do filósofo marxista, mas, comparando The Destruction of Reason com os outros livros de Lukács, creio que ele está dentro do mesmo nível tanto em seus erros como em suas verdades. [Read more…]

Resenha: From Aristotle to Darwin and Back Again, de Étienne Gilson

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A verdadeira missão da Filosofia: o pensamento sobre o próprio pensamento e o questionamento das razões da ciência.

Poucos filósofos ou intelectuais possuem a coragem de questionar a assim chamada Teoria da Evolução que, mais do que simplesmente uma hipótese científica (ou pseudocientífica), virou já um dogma religioso. Louvemos, portanto, a bravura do filósofo francês Étienne Gilson, que escreveu esse livro numa época em que tal dogma era ainda mais inquestionável. [Read more…]

Resenha: O Erro de Narciso, de Louis Lavelle

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O Erro de Narciso é uma pequena-grande obra do filósofo francês de inspiração platônica Louis Lavelle. Infelizmente ainda pouco conhecido no Brasil, o pensamento desse autor é um bálsamo para a alma e suas reflexões profundas e claras. Lavelle é um metafísico de primeira grandeza, e o que ele consegue realizar a partir do mito de Narciso é uma grande aula para nosso autoconhecimento.
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Resenha: Finnegans Wake, de James Joyce

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Riverrun, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs.” Essas misteriosas palavras marcam o início da mais difícil obra da literatura mundial. Não cometo nenhum exagero ao enfatizar essa dificuldade. Mesmo os grandes críticos de vários países dificilmente chegam a uma conclusão satisfatória sobre o significado dessa obra escrita entre 1922 e 1939 por James Joyce. Se seu Ulisses já era complicado, em Finnegans Wake tudo fica ainda mais complexo. [Read more…]

Resenha: A Nervura do Real, de Marilena Chaui

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Posso dizer que A Nervura do Real está no nível das grandes obras referências sobre os maiores filósofos tais como os de Giovanni Reale sobre Platão a de Charles Taylor sobre Hegel. O livro é espetacular, imenso (mais de 900 páginas) e não faz concessões ao leitor. Marilena Chaui demonstra total conhecimento não somente da vida e da filosofia de Baruch Spinoza, mas também da época na qual o filósofo viveu (século XVII) e da filosofia que o precedeu (principalmente da filosofia cartesiana e da filosofia medieval). [Read more…]

Resenha: Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire

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Pedagogia do Oprimido é a obra mais famosa do educador brasileiro reconhecido mundialmente Paulo Freire (1921-1997). Tentei ler este livro colocando à parte o que já conhecia das polêmicas envolvendo não somente a Pedagogia do Oprimido mas também o nome de Paulo Freire. É claro que é bastante complicado que esses pré-conceitos não “contaminem” de uma maneira ou outra a avaliação do livro; no entanto, foi o que tentei fazer.

Sem dúvida, a parte do livro que mais influência obteve em longo prazo foi a crítica de Paulo Freire a assim chamada “educação bancária”. O que seria, portanto, a “educação bancária”? Nada mais é do que um processo de aprendizagem no qual o aluno é apenas um sujeito passivo em sala de aula. O professor “deposita” o conhecimento no “banco” (a mente do aluno), que nada mais é o método que tradicionalmente era aplicado nas escolas. Era basicamente uma educação autoritária e na qual o conhecimento e a experiência de vida prévia do aluno (adulto ou criança) era ignorada. [Read more…]

Resenha: O mundo de Parmênides, de Karl Popper

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Karl Popper possui uma admiração sem reservas pelo grande filósofo pré-socrático Parmênides, e nesse livro mesmo quem pouco conhece sobre esse pensador, cuja obra pouco resta, vai passar a admirá-lo também por sua profundidade, espírito científico e de tolerância e, claro, pela paixão com que Popper o exalta durante centenas de páginas.

Para situar melhor o leitor, é importante dizer que Popper nesse livro também enaltece filósofos anteriores a Parmênides, como Tales de Mileto e, principalmente, Xenófanes. Popper tende a criticar Pitágoras, por exemplo, por já ter degenerado a filosofia em um círculo fechado de iniciados, o que é mais religião do que filosofia, segundo ele. [Read more…]