Resenha: Prometeu e Epimeteu, de Carl Spitteler

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“Foi em sua juventude – a saúde estava queimando seu sangue e seus poderes cresciam dia a dia .

Então a arrogância de Prometeu falou completamente a Epimeteu, seu amigo e irmão:

Sejamos diferentes dos muitos que estão na multidão geral.

Pois, se seguirmos nosso costume no exemplo comum, seremos uma recompensa comum e nunca seremos sanguinários e profundos.”

Carl Spitteler, Prometheus und Epimetheus (tradução nossa a partir do original em alemão)

Es war in seiner Jugendzeit – Gesundheit rotete sein Blut und taglich wuchsen seine Krafte – .

Da sprach Prometheus Obermutes voll zu Epimetheus seinem Freund und Bruder:

Auf lass uns anders werden, als die Vielen, die da wimmein in dem allgemeinen HaufenI

Denn so wir nach gemeinem Beispiel richten unsern Brauch, so werden wir gemeinen Lohnes sein und werden nimmer sptiren adeliges Gluck und seelenvolle. [Read more…]

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Resenha: O Amor e o Ocidente, de Denis de Rougemont

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Denis de Rougemont acreditava que o casamento vivia uma crise (no início do século XX) sem precedentes. Para ele, essa crise teria tido início séculos antes, e em seu livro O Amor e o Ocidente ele pretende apontar os culpados por ela.

Sua tese é sobre a antítese amor e paixão. O casamento, no Ocidente, teria funcionado relativamente bem ao menos até o século XII, pois até aquele momento estaria protegido sob as bênçãos do Ágape cristão. Para quem ler esta obra, essas minhas palavras não ficarão tão óbvias assim, pois o autor não nos explica como o casamento teria funcionado anteriormente. Temos a impressão que o auge desta instituição teria sido na Alta Idade Média, especificamente nos séculos VIII, IX e X, que reconhecidamente foi uma época de grande elevação moral, ao menos é que posso deduzir das ideias do autor. [Read more…]

Resenha: Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

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Considero que Lima Barreto deveria ser muito mais valorizado em nossa literatura. De linguagem simples, mas com uma visão atual do país à frente da imensa maioria dos escritores brasileiros (Graciliano Ramos é parecido com ele), seu romance Triste Fim de Policarpo Quaresma é uma crítica engraçada- mas ao mesmo tempo, profunda, da nossa burocracia e da nossa mediocridade. [Read more…]

Resenha: Quincas Borba, de Machado de Assis

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Quincas Borba é, em minha opinião, o livro mais triste de Machado de Assis. Sabemos que o autor brasileiro era bastante pessimista em relação à natureza humana, e foi muito influenciado pela filosofia de Arthur Schopenhauer. Neste livro o pessimismo se aplica às filosofias que pretendem nos convencer de estamos rumo a um progresso e que tudo tem sua razão de ser. O século XIX foi a era da fé no progresso da técnica e da ciência. Hegel, Comte, Marx e Darwin foram otimistas o suficiente para acreditaram em evolução e transformação. Machado de Assis cria o personagem de Quincas Borba para representar esta tendência otimista de sua época e, no caso, especialmente o positivismo de Comte que tanta influência teve no Brasil. [Read more…]

Resenha: Timeu, de Platão

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“Um, dois, três, porém o quarto Timeu, o último dos que ontem festejei aqui, e que me convidaram, onde está?”

Εἷς͵ δύο͵ τρεῖς· ὁ δὲ δὴ τέταρτος ἡμῖν͵ ὦ φίλε Τίμαιε͵ ποῦ τῶν χθὲς μὲν δαιτυμόνων͵ τὰ νῦν δὲ ἑστιατόρων

As palavras iniciais deste que é um dos diálogos mais inspiradores de Platão têm um significado muito maior e misterioso do que aparenta como veremos.

O universo de Platão é uma verdadeira obra da bondade Divina que o governa com sua providência, e cuja face está sendo sempre renovada; no entanto, é difícil de ser encontrado, e mais difícil ainda é comunica-Lo aos seres humanos. Não importa muito se Platão acreditava literalmente no Mito que coloca na boca do pitagórico Timeu. Como ele mesmo escreve, vai produzir um discurso verossímil, e invoca o deus para que do seu relato saia a verdade. [Read more…]

Resenha: a República, de Platão

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Somos como seres que tateiam no escuro durante a noite, quando não há mais o Sol, debatendo uns com os outros a respeito de sombras que passam diante de nossas vistas como em um relâmpago. A caverna seria o mundo, e os prisioneiros todos nós se não fizermos a verdadeira conversão de nossa vista e de nosso corpo para a luz do Sol, o filho do Bem, pois assim vemos que possuímos uma visão clara. Toda a República de Platão é um grande esforço para elevar-nos à verdadeira ciência da dialética, das hipóteses e ao domínio do Inteligível. Além disso, Platão faz neste diálogo uma apresentação de seu projeto educacional que está articulado com sua visão teológica. [Read more…]

Resenha: Ordem e Progresso, de Gilberto Freyre

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Com cerca de 1000 páginas, Ordem e Progresso, de Gilberto Freyre, é uma obra com tamanho e qualidade suficientes para situar o leitor dentro do Brasil do final do Império e início da República. Temos a série que começa com Casa Grande & Senzala, depois segue com Sobrados e Mucambos, tendo Ordem e Progresso como conclusão, já que Jazigos e Covas Rasas não chegou a ser escrito pelo grande sociólogo brasileiro. [Read more…]

Resenha: Turbilhão, de Coelho Neto

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Coelho Neto é um escritor há muito tempo pouco conhecido e divulgado, porque foi tido já em seu tempo como ultrapassado. Em Turbilhão, os méritos do autor tornam-se evidentes pela excelente qualidade da escrita. É um romance muito agradável de se ler, apesar de que considero que o final poderia ter sido melhor. Não é difícil entender, porém, o porquê de Coelho Neto ter sido muito combatido, pois o tipo de vocabulário que o mesmo usa é bem pouco usual, mas que também não chega a ser dos mais complexos. Trata-se de uma linguagem muito culta, pouco acessível já em tempo, e mais ainda no nosso, haja visto o pouco hábito de leitura do povo em geral; no entanto, apesar dessas dificuldades, acredito que o estilo de Coelho Neto funciona perfeitamente no romance. O autor é classificado como impressionista, dando ênfase às sensações, luzes, estado da alma- que ele emprega realmente várias vezes no livro. [Read more…]

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

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Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

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Resenha: O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

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Um livro com múltiplas possibilidades de interpretação, O Jogo da Amarelinha, do grande escritor argentino Julio Cortázar, é uma das grandes obras da literatura latino-americana. Lembrou-me levemente de O Aleph, de Jorge Luis Borges, por seu estilo de histórias fora de ordem e que surgem ao acaso. Apesar de considerar este livro de Cortázar bastante desafiador, o que para mim é sempre estimulante, nem de longe é comparável a uma obra de James Joyce. [Read more…]