Ethical Aspects of Human Enhancement

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To create new technologies and develop science to help society deal with some of our deficiencies like crime, or deviance of our personalities like psychopathy is a task that requires philosophy contribution. I will argue that are inconsistencies in a few authors that currently writes about these themes that compromises the results of these ideas. Although I’m personally an enthusiast of technology, a philosophical analyze must be made about the use of new robotic devices or medical techniques to enhance human beings and society. Thinkers that are originating new possibilities for the use of computing science should not only look for the future use of some of the wonderful that humanity might have, but also look back and reflect about philosophical difficulties that are intriguing. [Read more…]

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Resenha: Górgias, de Platão

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É dramática a posição de Sócrates diante dos sofistas e de um projeto de tirano à la Nietzsche (Cálicles) no diálogo platônico Górgias. Ali estão projetadas questões de extrema importância como o valor da retórica como ciência, da justiça, do estado de exceção e da incapacidade de o homem justo lutar, neste mundo, contra a opressão dos maus. Só resta a Sócrates apelar, no final do diálogo, para o julgamento do mundo dos mortos para que a justiça seja restabelecida. [Read more…]

Resenha: O Nome da Rosa, de Umberto Eco

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O século XIV representou uma época de revoluções no pensamento e na tecnologia. Os óculos, o relógio mecânico e o uso militar mais disseminado da pólvora são daquele período. Na filosofia, após séculos de debates sobre a questão dos Universais, o Nominalismo tornar-se-ia dominante. Muito do destino da ciência moderna foi estabelecido a partir das ideias de Guilherme de Ockham. O romance de Umberto Eco, O Nome da Rosa, é a grande referência literária sobre um século tão catastrófico e inovador. [Read more…]

Aristóteles e o conhecimento Metafísico e do mundo real

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Kant negava o valor da Metafísica dizendo que qualquer conhecimento do noumenon (a coisa-em-si) era impossível, pois o nosso intelecto só estaria apto a reconhecer e compreender os objetos do mundo fenomênico. Descartes era da opinião de que nossos sentidos nos enganam muitas vezes e que, portanto, a única certeza que teríamos seria subjetiva. Ora, lendo o Comentário à Metafísica de Aristóteles escrito por São Tomás, ali existe um capítulo que fala da dificuldade de adquirirmos um conhecimento do mundo e dos objetos.

Podemos ler com clareza qual era a opinião de Aristóteles e que,São Tomás, por sua vez, acrescenta alguns detalhes. Diz Aristóteles que ninguém pode alcançar a verdade Metafísica de todas as coisas sozinhas, mas que os homens unidos podem, cada qual com sua contribuição, ajudarem a formar um mosaico com pequenas verdades do todo.

São Tomás faz um comentário a respeito de o porquê os homens terem opiniões e conceitos diferentes sobre o mundo e os objetos. Fazendo um paralelo com o mundo atual e a notícia curiosa sobre o vestido e sua real aparência, que foi uma das grandes discussões desses dias, vemos que o Aquinate faria uma objeção ao pensamento cartesiano de que os sentidos nos enganam. Lendo a notícia sobre o vestido e sua cor, aparentemente Descartes teria razão de dizer que são os nossos sentidos que estão nos enganando, por causa de que cada um vê uma cor diferente no vestido. São Tomás, explicando o pensamento aristotélico, vai nos dizer que o problema não está em nossos sentidos e nem necessariamente no objeto em si- apesar de que objeto pode ter alguma imperfeição-, mas sim em nosso intelecto. [Read more…]

Resenha: Questões disputadas sobre a alma, de São Tomás de Aquino

Questões disputadas sobre a alma

Esta presente obra de São Tomás de Aquino trata ,como diz o título, da  alma. Li e achei esse um dos piores livros de São Tomás. Fiel ao extremo à filosofia de Aristóteles, São Tomás faz afirmações absurdas e cruéis, como afirmar que a alma dos animais não são eternas. Platão por sua vez acreditava que todos os animais possuíam uma imagem da alma e um poder gnóstico de fantasia, memória e  sentido. Tomás de Aquino cai em dificuldades como definir a existência da alma sem o corpo já que para ele ambas estão unidas de maneira tão intensa. Isso vai gerar a ênfase excessiva do papel dos sentidos no conhecimento humano, o que a filosofia platônica sempre evitou, pois esta nos ensinou através de Proclo ( Teologia de Platão), que ” a  teoria intelectual apreende inteligíveis e as formas que são capazes de serem conhecidas pela alma através da energia projetada pelo intelecto; mas a ciência teológica que transcende a isso é familiarizada com misteriosas e inefáveis Hyparxis . Porque nós possuímos muitos poderes gnósticos e através desses somente nós somos capazes de  ser e participar na união oculta do intelecto e da Hyparxis que estão unidas nos seres e através desses  na união oculta de todas as unidades divinas.” Para Proclo, através dos sentidos nós não podemos conhecer o gênero dos deuses; além disso, ” todas as coisas similares só podem ser conhecidas pelo similar. O sensível pelo sensível; o doxástico pela opinião; o dianoético pela dianoia e o inteligível pelo intelecto. Portanto o inefável só pode ser conhecido pelo inefável.” São Tomás nega todo o tipo de conhecimento a priori pela alma, o que é um erro, pois o ser humano possui conhecimentos que não derivam da experiência. O amor ao próximo, que segundo Santo Agostinho é a base da sociedade, é inato no ser humano , e não é derivado da experiência. Quando a mãe ama o seu filho, isso já está gravado em sua alma, e esse amor não surge através dos meses ou dos anos, o que provavelmente levaria à destruição da raça humana se esse amor só surgisse com o passar dos anos. O amor ao próximo é inato desde o nascimento. Vejam esta notícia aqui sobre o nascimento dessas gêmeas com as mãos dadas. Isso é mais uma prova de que o amor entre os seres humanos não nasce da experiência, mas já vem gravado em nossas almas. Outro problema que surge dessa rejeição aos argumentos a priori por parte de São Tomás é em relação às provas da existência de Deus. Na minha opinião, a existência de Deus  pode ser provada a priori, e também a posteriori de acordo com o método de São Tomás. Provar a existência de Deus somente pelos sentidos encerra um grave problema. Por exemplo: antes do homem e de toda a matéria, Deus não existia? De acordo com Santo Agostinho, a verdade eterna de que Deus existe independe do homem existir ou não, da matéria existir ou não. O amor ao próximo e a existência do bem são verdades eternas que provam a existência de Deus, e é apenas dessa maneira a priori que Sua existência pode ser provada. Kant também acreditava nisso em parte, porque para ele o ser humano tem que existir para que essas verdades se confirmem, o que as torna imanentes. Se os efeitos da criação divina fossem uma prova, ela seria evidente para todos, o que não é verdade. Segundo Bertrand Russell, se a ordem requer explicação, como explicar a desordem? No início do universo havia somente o caos e a desordem, e ninguém poderia sugerir que aquilo provaria a existência de Deus.A reprodução da biologia e da cosmologia caduca de Aristóteles torna o livro em alguns momentos extremamente difícil de se ler. Comparado com o conhecimento matemático da filosofia neoplatônica, os conhecimentos “científicos” exibidos por São Tomás são paupérrimos, vide sua frequente alusão às figuras do fogo e da pedra. O último capítulo do livro é horrível, pois exibe o que de  pior havia nas fantasias medievais sobre o inferno, tornando as argumentações de São Tomás inteiramente sofísticas. O que percebemos em São Tomás é o seu completo desconhecimento da filosofia platônica, e a sua  insistência irritante em criticar o filósofo ateniense através dos comentários de Aristóteles.

A Doutrina dos Transcendentais de São Tomás de Aquino

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São Tomás escreveu na Suma Teológica sobre o conhecimento de Deus a partir das criaturas: ” Nosso intelecto é levado ao conhecimento de Deus a partir das criaturas. É preciso, pois, que considere Deus segundo o modo que assume a partir das criaturas. Ora, quando consideramos uma criatura, quatro coisas nos ocorrem sucessivamente: primeiro, considera-se a coisa em si mesma, e absolutamente, como um certo ente. Depois ela é considerada como una. Em seguida, considera-se o seu poder de agir e de causar; finalmente, considera-se segundo a relação que tem com os seus efeitos.”1

Ente: o existir é a atualização de qualquer forma ou natureza. Segundo São Tomás, a bondade e a humanidade só podem ser entendidas como existindo. Existir é referido à essência, que é distinta dele. Em Deus não existe potência e Sua essência não é diferente da Sua existência. O ente é o que se afirma das substâncias e secundariamente dos acidentes.2

Coisa: São Tomás escreve: “De onde a semelhança da coisa (res) visível é a forma segundo a qual a vista vê, e a semelhança da coisa conhecida, a saber, a espécie inteligível, é a forma segundo a qual o intelecto conhece.Sed quia intellectus supra seipsum reflectitur, secundum eandem reflexionem intelligit et suum intelligere, et speciem qua intelligit. Et sic species intellectiva secundario est id quod intelligitur. Sed id quod intelligitur primo, est res cuius species intelligibilis est similitudo.”Mais adiante ele diz: “A humanidade conhecida existe só em tal ou tal homem. Mas que a humanidade seja apreendida sem as condições individuais, no que está a abstração, da qual resulta a ideia universal, isso lhe acontece enquanto é percebida pelo intelecto, no qual se encontra a semelhança da natureza específica, e não a dos princípios individuais.” A humanidade é apreendida pelo intelecto em segundo lugar, mas a realidade corporal do homem é a coisa primeira da “qual a espécie inteligível é a semelhança.”3

Uno: O ser de qualquer coisa significa a indivisão para São Tomás, e conservar o ser é manter a unidade. Na Suma Teológica ele escreve: ” assim, o ente se divide em uno e múltiplo, uno absolutamente, e no múltiplo sob certo aspecto. Pois a própria multiplicidade não poderia estar compreendida no ente se, de certo modo, não estivesse contida no uno. Eis por que Dionísio escreve: não há multiplicidade que não participe do uno. Mas o que é multiplo pelas partes é uno pela totalidade, o que é múltiplo pelos acidentes é uno pelo sujeito; o que é múltiplo numericamente, é uno pela espécie; o que é múltiplo pela espécie é uno pelo gênero, e o que é múltiplo pelas sucessões é uno pelo princípio.”4

O Bem: o ente tem prioridade sobre o bem, segundo São Tomás. Está escrito no livro das causas que ” o Ser é a primeira das coisas criadas.” O bem é difusivo segundo Dionísio. O ente é bom e torna-se perfeito, segundo Aristóteles, quando pode produzir outro ser semelhante a si. O bem também tem razão de causa final.Para São Tomás, o objeto próprio da vontade é o fim, e se dizemos que Deus é bom, estamos nos referindo à causa final.5

Verdade: o bem é convertível ao ente, assim é o verdadeiro, que se encontra principalmente no intelecto. A verdade é a adequação do intelecto ao objeto, segundo a definição de Avicena reproduzida por São Tomás. Deus é a verdade porque seu ser é conforme seu intelecto. O não-ente e as privações não têm a verdade por si mesmos, mas apenas pela apreensão do intelecto.6

A Beleza: A beleza tem relação com as propriedades do Filho, pois ela requer três coisas: integridade, harmonia e esplendor. O Filho é a imagem expressa do Pai, pois tem Sua natureza, por isso tem integridade. Tem harmonia, pois convém à propriedade do Filho, de maneira que uma coisa é bela quando representa perfeitamente a coisa. Possui esplendor, pois o Verbo é a luz do intelecto.7

1 Suma Teológica, Q 39, artigo 8.

2 Ente e Essência.

3 Suma Teológica, Q 85, artigo 2

4 Suma Teológica, Q 11, artigo 1.

5 Suma Teológica, Q 5.

6 Suma Teológica, Q 16.

7 Suma Teológica, Q 39, artigo 8.

Resenha: São Tomás de Aquino-Comentário à Ética a Nicômaco

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A Ética de Aristóteles, assim como outras das suas principais obras como a Política, a Metafísica etc, foram comentadas no final da vida de São Tomás. Lamentando que esse livro ainda não tenha uma tradução para a língua portuguesa, tive que lê-lo na versão inglesa da Aristotelian Commentary Series, da Dumb Ox Books. A Ética a Nicômaco fica ainda mais clara quando a estudamos com os comentários do maior teólogo da Igreja. Ninguém precisa temer que São Tomás misture teologia com filosofia nesse livro porque ele é muito fiel a Aristóteles durante todo o livro, só corrigindo o filósofo grego em algumas pequenas passagens. Em seus comentários, São Tomás ajuda a tornar mais claros os conceitos aristotélicos sobre diversos temas. Como já havia lido a Ética duas vezes antes dessa versão, achei surpreendente como o pensamento de Aristóteles ficou mais límpido e verdadeiro com a ajuda de São Tomás. Não há críticas às passagens originais do filósofo grego fazendo um contraponto a elas com elementos da Bíblia. A Ética a Nicômaco serviu desde então como a base da ética ocidental junto com a moral da Bíblia e dos Evangelhos.

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O Conhecimento da Lei Eterna pelos Homens

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” Alguma coisa pode ser conhecida duplamente: em si mesma e em seu efeito, no qual se acha uma semelhança dela, como alguém que não vê o sol em sua substância conhece-o em sua irradiação. Assim, deve-se dizer que ninguém pode conhecer a lei eterna segundo é em si mesma, a não ser os bem-aventurados, que veem a essência de Deus. Mas toda criatura racional conhece-a segundo uma irradiação dela, ou maior ou menor. Todo conhecimento da verdade, com efeito, é uma irradiação e participação da lei eterna, que é a verdade imutável, como diz Agostinho.” ( São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Volume IV, Q.93.a.2)

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O amor como a primeira das paixões segundo São Tomás de Aquino

A filosofia cristã reflete repetidas vezes sobre a concupiscência, que é o amor aos bens desse mundo especialmente aos amores sensuais. Santo Agostinho escreveu sobre isso e São Tomás, na Idade Média, frequentemente alude a esse tema. Existe uma parte da Suma Teológica que fala sobre a ordem das paixões. Está na questão XXV. É curioso ler São Tomás escrevendo sobre o amor sensual pois ele nunca teve qualquer tipo de experiência nessa área. Mencionando Santo Agostinho, que diz que ” o amor desejando ardentemente possuir o seu objeto, é desejo; quando porém já o possui e o goza é alegria”, diz  São Tomás que o bem vem antes do mal, e todas a paixões que visam o bem são anteriores àquelas que querem o mal. Para ele o amor precede o desejo e este o deleite. Segue-se a afirmação de que o prazer é o gozo do bem, e este é o fim. Dessa forma foi possível São Tomás afirmar que o amor é a primeira das paixões do concupiscível, pois quando o objeto amado já é possuído, ele se torna uma fonte de prazer; porém, quando ainda está distante, o sentimento que existe é o de desejo ou de concupiscência, e Santo Agostinho diz que ” sente-se mais o amor quando é produzido pela carência”.

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Um pensamento de São Tomás de Aquino sobre a razão e o intelecto

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Na questão 51, artigo 2, do volume IV da Suma Teológica, São Tomás pergunta se existem hábitos causados por atos. Ele responde que sim, existem hábitos causados pelos hábitos. A razão é que “os atos multiplicados geram na potência passiva e movida uma quantidade que se chama hábito. Desse modo é que os hábitos das virtudes morais são causados nas potências apetitivas, enquanto movidas pela razão, da mesma forma como os hábitos das ciências são causados no intelecto, enquanto este é movido pelas proposições primeiras”.

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