Uma perspectiva metafísica sobre o aborto e a embriologia

Forms- souls- and embryos_Wilberding.

 

“Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos nem por causa dos vivos.”

“Nunca houve tempo em que eu não existisse, nem tu, nem algum desses príncipes – nem jamais haverá tempo em que algum de nós deixe de existir em seu Ser real.”

“O verdadeiro Ser vive sempre. Assim como a alma incorporada experimenta infância, maturidade e velhice dentro do mesmo corpo, assim passa também de corpo a corpo – sabem os iluminados e não se entristecem.”

Bhagavad-Gîtâ

Um dos temas mais desafiadores para quem lida com Bioética é a questão do aborto, que envolve o status moral do feto, uma abordagem às vezes metafísica da embriologia, e que nos leva a muitas polêmicas entre ciência e religião. Recentemente, através da leitura da obra de James Wilberding Formas, Souls and Embryos, fiquei fascinado por como os neoplatônicos entendiam o desenvolvimento do embrião humano. O autor fez um trabalho excelente em fornecer dados pouco acessíveis para um tema bastante atual, e com isso ajudou muito em ampliar o nosso campo de visão sobre o tema. É claro que os neoplatônicos possuíam um ponto-de-vista inteiramente metafísico sobre a embriologia, o que não poderia ser diferente, haja visto os meios precários ou inexistentes que havia na época. [Read more…]

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

5601072406797

Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

[Read more…]

Schopenhauer e o Espírito do Cristianismo

Arthur_Schopenhauer_1 artigo

Texto extraído do livro O Mundo como Vontade e Representação- Volume 2 ( Editora Dover Publications). Fiz a tradução pois esta obra não foi traduzida ainda para o português. ( págs 620 à 622 )

“O que é oposto ao espírito do Cristianismo é sempre e em todo o lugar o Antigo testamento com sua ideia de que tudo o que Deus fez é bom. Isto aparece particularmente naquele importante terceiro capítulo do Stromata de Clemente de Alexandria. Argumentando contra os heréticos Encratitas, ele sempre os confronta com o judaísmo e sua história otimista a respeito da criação, cuja tendência de negação do mundo do Novo testamento está certamente em contradição. Mas a conexão do Novo testamento com o Antigo é, no fundo, apenas um fato forçado, externo e acidental, e, como eu disse, isto ofereceu um único ponto de contato com o Cristianismo, que é a história da Queda, a qual, no entanto, no Antigo Testamento está completamente isolada e não é mais utilizada. Ainda assim, de acordo com a narrativa do evangelho, são apenas os seguidores ortodoxos do Antigo Testamento que causam a crucificação do Fundador, porque eles consideram que ensinamentos do salvador estão em contradição com os seus próprios.

No caso mencionado acima do terceiro livro do Stromata de Clemente, o antagonismo entre o otimismo aliado ao teísmo de um lado, e o pessimismo aliado ao ascetismo de outro, fica claro com uma surpreendente clareza. Este livro de Clemente é direcionado contra os gnósticos, que pregavam precisamente o pessimismo e o ascetismo (particularmente a abstinência, especialmente da prática sexual); por esta razão, Clemente vigorosamente censura-os; mas ao mesmo tempo fica aparente que o espírito do Antigo Testamento permanece em seu antagonismo com o do Novo. Com a exceção da Queda, que aparece no Antigo Testamento como um hors d’oeuvre, o espírito do Antigo Testamento é diametralmente oposto ao do Novo Testamento: o primeiro é otimista; o segundo é pessimista. Esta contradição é trazida por Clemente no final do capítulo 11, apesar de que ele não vai admitir, mas declara que é apenas aparente, como um bom judeu que ele é. De maneira geral, é interessante de ver como em Clemente o Antigo e o Novo Testamento estão sempre misturados, e como ele luta para reconciliá-los, ainda que ele sempre conduza o Novo Testamento a partir do Antigo.

Logo no começo do terceiro capítulo do Stromata ele faz objeção aos Marcionitas por eles terem achado uma falta na Criação, da mesma forma que Platão e Pitágoras, pois Marcião ensina que a natureza é má e feita de um material ruim; dessa forma esse mundo não deveria ser povoado, mas o ser humano deveria evitar o casamento. A partir de agora, Clemente- para quem o Antigo Testamento geralmente é muito mais simpático e convincente que o Novo- leva isso adiante de maneira muito inapropriada. Ele vê na atitude dos Marcionitas uma ingratidão, inimizade e um ressentimento Àquele que fez o mundo, ao Demiurgo, cuja obra eles fazem parte. Em sua rebelião ateia, “abandonando sua disposição natural”, eles desprezam fazer o uso das outras criaturas. Aqui em seu ardor santo ele não permite aos Marcionitas nem a honra de terem sido originais, mas, armado com sua bem conhecida erudição, ele os repreende e busca apoio em sua tese com as mais sofisticadas citações dos antigos filósofos, ou seja, de Heráclito e de Empédocles, de Pitágoras e Platão, Orfeu e Píndaro, Heródoto e Eurípedes, e ainda as Sibilas, sendo que todos esses filósofos deploravam profundamente a natureza miserável de nosso mundo e, assim, ensinaram o pessimismo.

Clemente não consegue perceber que em seu entusiasmo acadêmico ele está precisamente fornecendo grãos para o moinho dos Marcionitas, porque ele mostra que “todos os sábios de todas as eras” ensinaram e cantaram a mesma coisa que o grupo de heréticos que ele está combatendo. Pelo contrário, ele de maneira confiante e ousada cita as mais decididas e enfáticas expressões dos antigos naquele sentido. É claro, ele não se sente desencorajado por eles; os sábios podem lamentar a natureza melancólica da existência; poetas podem derramar as mais comoventes lamentações sobre isso; a natureza e a nossa experiência podem gritar para sempre contra o otimismo; tudo isso não perturba o nosso Padre da Igreja. Ele ainda mantém a sua revelação judaica na mão e permanece confiante. O Demiurgo fez o mundo, e isto é uma certeza excelente e a priori, não importa o que pareça. É que acontece com os Marcionitas, que, de acordo com Clemente, revelam sua ingratidão e geniosidade com o Demiurgo com a rejeição de sua obra. Os poetas trágicos já haviam pavimentado caminho para os Encratitas (em detrimento de sua originalidade), dizendo as mesmas coisas. Assim, eles lamentam a infinita miséria da existência e adicionam a isso que é melhor não trazermos nenhum filho a tal mundo. Novamente, ele mantém sua opinião com as mais belas passagens, e ao mesmo tempo acusa os Pitágoricos de terem renunciado ao prazer sexual por esta razão. Tudo isso, entretanto, não o preocupa de forma alguma. Ele adere ao seu princípio de que através da abstinência de alimentos ou de sexo, todos esses grupos pecam contra o Demiurgo, pois eles pregam que não devemos nos casar, ter filhos, nem trazer novos seres miseráveis ao mundo, dessa forma não produziríamos forragem fresca para a morte. Quando o douto Padre da Igreja denuncia tudo isso, ele não aparenta ter uma premonição que, pouco tempo depois dele, o celibato do clero cristão seria introduzido cada vez mais até que, finalmente no século XI seria transformado em lei, pois isto seria feito dentro do espírito do Novo Testamento. É precisamente esse espírito que os gnósticos captaram mais profundamente e o entenderam melhor que o nosso Padre da Igreja, que era muito mais um judeu do que um cristão.”

Para compreender melhor essa passagem, acrescento o que Schopenhauer escreve algumas páginas antes ( pág 617) sobre o casamento.

“No Cristianismo, o casamento é tido como uma simples concessão, ou seja, um compromisso com a natureza pecaminosa do homem, dessa forma, o casamento é permitido àqueles que não possuem a força necessária para buscarem o que é mais elevado ( a castidade ), e também é utilizado como expediente para prevenir uma perdição maior. Neste sentido, recebe sanção da Igreja para que o laço entre o casal seja indissolúvel. Entretanto, a virgindade e o celibato são colocados como muito mais importantes e em um nível muito mais alto de inspiração para o Cristianismo, pelo qual aquele que faz seus votos entra na fileira dos eleitos. Através disso somente a pessoa consegue a coroa da vitória, que é indicado ainda nesse tempo por uma grinalda no caixão daquelas que não se casaram, da mesma forma que a grinalda é  colocada de lado pela noiva no dia do seu casamento.”

 

Resenha: Fragmentos sobre a história da filosofia, de Arthur Schopenhauer

Picture_of_Schopenhauer

Fragmentos sobre a história da filosofia é um dos capítulos da obra de Schopenhauer ( Parerga e Paralipomena ). Esta última garantiu ao filósofo a fama que ele tanto desejava. Escrito com o estilo agradável que é o hábito de Schopenhauer, neste volume da edição da Martins Fontes encontram-se dois ensaios: esboço de uma história da doutrina do Ideal e do Real e os Fragmentos sobre a história da filosofia. No segundo ensaio, Schopenhauer deixa claro que estudar a história da filosofia não é fazer filosofia. Para ele, se quisermos entender filosofia devemos ler as obras originais dos filósofos, e nunca o resumo de terceiros. [Read more…]

Resenha: A Quádrupla Raiz do Princípio da Razão Suficiente, de Arthur Schopenhauer

Arthur_Schopenhauer_Portrait_by_Ludwig_Sigismund_Ruhl_1815

Se Platão e Kant já haviam defendido a existência de um conhecimento a priori, Schopenhauer acredita que deu uma grande ( e a melhor ) contribuição para o chamado Princípio de Razão Suficiente. Com sua linguagem clara e de uma beleza só superada pela de Platão, Schopenhauer rejeita as filosofias de  Hegel,Schelling e Fitche, e considera que ele é o continuador da tradição kantiana. [Read more…]

Resenha: Os Buddenbrooks, de Thomas Mann

Budenbrooks

Excelente livro escrito por Thomas Mann em sua juventude, que garantiu-lhe o prêmio Nobel em literatura em 1929, os Bruddenbrooks é um romance, que como diz o subtítulo, trata da decadência de uma família burguesa alemã do século XIX. No início, a família constrói uma sólida reputação comercial com o patriarca Jean. Com o decorrer da narrativa, o foco passa a ser as vidas dos filhos do patriarca, que são Thomas, Christian e Antonie. Há um tom de pessimismo em toda a obra por uma influência do filósofo Arthur Schopenhauer no jovem Mann. Os personagens têm um tom trágico que revelam o sofrimento inerente à vida. Antonie quer uma vida confortável e de luxo, mas todas as suas ações são desastradas. Christian é irresponsável e preguiçoso, e termina o romance de maneira sofrida e lamentável. Thomas é o responsável por manter a firma da família funcionando e é o personagem mais complexo. Pude identificar nesse personagem um tom de Machado de Assis. Isso se deve, é claro, pela influência de Schopenhauer na obra dos dois grandes autores. Thomas percebe o mundo caindo à sua volta por causa dos sucessivos fracassos de seus irmãos. Ele vai se tornando cada vez mais cínico e pessimista com o desenrolar da história. A semelhança com o Bentinho de Dom Casmurro é evidente na maneira como Thomas se relaciona com seu filho Hanno, por causa da frieza com que esse trata seu filho. [Read more…]

O Sofrimento no Mundo Animal, por Arthur Schopenhauer

Leão e Javali

“Nós veremos mais tarde, a partir de um alto ponto de vista, que é possível justificar os sofrimentos da humanidade. Mas esta justificação não pode ser aplicada aos animais, cujos sofrimentos, que em grande medida são trazidos pelo ser humano, são frequentemente consideráveis mesmo à parte de seu agente. E assim nós somos forçados a perguntar, por que e para qual propósito todo este tormento e agonia existem? Não há nada aqui para dar à vontade uma pausa; não é livre para negar a si mesma e assim obter a redenção. Há apenas uma consideração que pode servir para explicar o sofrimento dos animais. É a seguinte: que a vontade de viver, que fundamenta todo o mundo fenomênico, deve, em seu caso,satisfazer seus desejos alimentando-se de si mesma. Isto forma uma gradação do fenômeno, no qual todos existem ao custo de outro.”

Arthur Schopenhauer- Do sofrimento do mundo.

Resenha: O Fundamento da Moral, de Arthur Schopenhauer

-Arthur_Schopenhauer_1815

 

O fundamento da moral foi a primeira obra que eu li de Schopenhauer e, desde então, esse filósofo alemão tornou-se uma das minhas referências na filosofia. Partindo de uma crítica à filosofia moral de Kant, Schopenhauer demonstra como esse cometeu uma espécie de “monstruosidade filosófica” ao identificar o ato de caridade e de amor ao próximo com o agir racionalmente. Nunca antes de Kant, diz Schopenhauer, isso havia sequer sido imaginado. O que esse livro maravilhoso e muito humano tenta estabelecer é um tipo de moralidade que não dependa da Bíblia e nem de Deus, uma vez que o comando da ética Kantiana “tu deves” só tem valor e poder partindo de uma ordem divina. Outro tipo de moral completamente rejeitada por Schopenhauer é aquela que parte do Estado ( desejo de Hegel e de todo esquerdista), pois conceder a essa instituição o poder de tirar dos homens a liberdade individual é, no fundo, pavimentar o caminho para uma nova inquisição, guerras religiosas e outros tipos de perseguição ( a história dos século XX provou esse fato). Rejeitada a moral vinda de uma ética religiosa, de um comando do tipo “tu deves” e a moral estatal, Schopenhauer propõe uma ética baseada na compaixão por todos os seres vivos. Segundo ele, essa é a única maneira de evitarmos o egoísmo no momento de ajudar ao próximo, porque já não pensamos que ao fazer isso estamos agindo racionalmente ou evitando futuras penas do inferno. O filósofo cita essa passagem de Calderon para provar o que prega:

“que entre el ver

Padecer y el padecer

Ninguna distancia habia.”

As dores do próximo fazem você se identificar com o sofrimento alheio, e com isso o sentimento de compaixão é despertado. O mais surpreendente na ética de Schopenhauer é a sua preocupação com os animais. Não que isso seja totalmente novo, pois as civilizações asiáticas não estabeleciam uma grande separação entre os homens e os outros seres vivos. Na Grécia antiga a escola de Pitágoras via os animais com muito respeito. No ocidente isso foi perdido, de acordo com Schopenhauer, por causa da influência judaica no Cristianismo. Essa opinião de que os animais não possuem alma e que estão nesse mundo exclusivamente para servir ao homem pode ser vista, infelizmente, nas obras de São Tomás de Aquino. A filosofia moderna vai repetir esse pensamento com Descartes. Na prática o tratamento dado aos animais no Cristianismo sempre foi superior ao judaísmo, no entanto a igreja continua negando que os animais possuam alma, o que é algo incompreensível pela simples observação do quanto muitos animais podem agir com bondade. Na filosofia de Schopenhauer os homens e os animais são vistos como uma manifestação de Vontade. Esses últimos são nossos companheiros de sofrimento nesse mundo, e o agir com compaixão em relação às mazelas dessa vida vale tanto para a ajuda aos homens como para os animais. A ética de Schopenhauer é baseada no testemunho dos antigos gregos e Hindus; não é bíblica e nem depende de Deus. Como Schopenhauer é o maior dos escritores em filosofia ao lado de Platão, seus livros não necessitam da explicação de professores universitários para serem entendidos. Não partindo nem de Deus nem da razão, o pensamento de Schopenhauer estava destinado a ser condenado tanto pelas universidades quanto pelos religiosos. O reconhecimento do valor de sua filosofia veio pelas artes, pela literatura e, especialmente, pela psicologia.

 

A Vida após a morte dos animais segundo a Filosofia

Meu cachorro Bryan  28/06/1995- 11/06/2010

” Pois aquilo que é deve sempre ser”  Hermes Trismegisto ( citado no livro The World as Will and Representation , Volume II)

É inútil procurar na Bíblia ( nesse caso alguém pode me corrigir) ou em qualquer filósofo cristão uma passagem que sustente uma vida futura para os animais. Filósofos como São Tomás de Aquino, Kant e Descartes só consideravam que fazer o mal para algum animal só era errado porque se atacava a propriedade do próximo.

[Read more…]

Resenha de A Metafísica do Belo, de Schopenhauer

8571394652

Um verdadeiro curso de estética
A metafísica do belo compreende as aulas que Schopenhauer deu na universidade de Berlim em 1820, na mesma época em que Hegel dava aulas nessa universidade. As aulas ministradas por Schopenhauer ficavam com as salas de aula vazias, por causa disso ele desistiu de seguir carreira universitária desde então.

Schopenhauer parte do idealismo de Platão e Kant, considerados por Schopenhauer os dois maiores filósofos do ocidente. No idealismo de Platão, um cavalo que estivesse diante de nós não possuiria uma existência verdadeira, mas apenas um constante vir-a-ser. Somente a ideia daquele animal, que nunca veio-a-ser ,é o que importa. Portanto, é indiferente se o cavalo que temos diante de nós é esse cavalo ou seu ancestral que viveu séculos atrás. Unicamente a ideia do cavalo é objeto do conhecimento real. Para Kant, esse cavalo é apenas um fenômeno em relação ao nosso conhecimento e nunca a coisa-em-si.
Uma grande diferença entre Schopenhauer e Hegel é que Hegel é o filósofo da história, e Schopenhauer é a-histórico, pois para Schopenhauer a história é somente a forma casual do fenômeno da ideia. A história nada cria de novo e os papéis que os seres humanos exercem são sempre os mesmos. Não haveria assim um objeto final da história.

A satisfação estética para Schopenhauer é o estado do puro conhecimento destituído de vontade, que é o único que pode nos fornecer um exemplo da possibilidade de uma existência que não consiste no querer. É através da supressão do querer que o mundo pode ser redimido. A impressão do sublime pode ser despertada em locais onde a paisagem não fornece à vontade nenhum meio de se manifestar. É nessa ocasião que o sujeito pode contemplar a ideia. O homem nessa ocasião poderá sentir-se angustiado pelo pensamento de que um dia irá desaparecer. Mas Schopenhauer nos diz que essa é uma aparência enganosa, pois o mundo existe apenas na nossa representação. A grandeza do mundo e sua existência repousa na nossa consciência.

É tarefa da filosofia tornar claro que somos uma única e mesma coisa com o mundo: “ todas essas criações em sua totalidade são eu, e fora de mim não existe ser algum” ( Upanixade). Depois de dizer que todas as coisas são belas e demonstrar um otimismo prático, que muito recusam-se a reconhecer em sua filosofia, Schopenhauer reabilita a poesia e demonstra sua importância para a filosofia, criticando a famosa intolerância de Platão nesse assunto.

Schopenhauer discute o valor e a beleza de diversas artes como a arquitetura, no qual ele defende a arquitetura grega e critica a gótica, opinião essa na qual eu discordo pois considero a arquitetura gótica como a mais bela que existe; depois ele analisa a jardinagem, a pintura, que ele vê como a mais bela e correta a arte flamenga, criticando somente essa arte quando alguns pintores reproduzem imagens de comidas e bebidas diversas, pois isso produziria um desejo ou vontade no espectador.

Por fim, existe a música, considerada por Schopenhauer a melhor de todas as artes, pois assim como a filosofia, a música permite a alma penetrar na essência do mundo. Para quem gosta de estética e quer conhecer outras visões sobre a arte, recomendo o curso de estética: o belo na arte ,de Hegel, assim como a introdução às artes do belo, de Etienne Gilson.