Metaphysical considerations on animal ethics

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Μη τα πελωρια μετρα γαιης υπο σην φρενα βαλλου*

Ου γαρ αληθειης φυτον ενι χθονι

Direct not your attention to the immense measures of the earth; for the plant of truth is not in the Earth

 Πατηρ ου φοβον ενθρωσκει, πειθω δ επιχεει.

 The father did not hurl forth fear, but infused persuasion

The Chaldean Oracles

So many philosophers have contributed to enhance the study of animal ethics, but I will argue in this article that it does exist some questions that must be answered. The most important thing to me is that these thinkers don’t take on account the totality of things envolved, in another word, they ignore the whole world and the universe in which humans and animals live together. Without this, we hardly would get some answers why animal ethics does matter. [Read more…]

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Sobre o gnosticismo de Paulo e o problema do Mal

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O que liberta é o conhecimento de quem nós fomos, e em quê nos tornamos; onde estávamos, e onde fomos lançados; para onde nós caminhamos, e de onde seremos redimidos; o que é o nascimento, e o que é renascer.”

Valentino (100-160)

 

Estas sábias palavras resumem bem o espírito gnóstico. Muito mais do que uma religião organizada, até porque suas origens são bastante confusas e dispersas, os gnósticos representam uma tentativa de responder ao mistério da existência do mal no mundo. Se a filosofia nasce do espanto, como diz Platão, pensar sobre o enorme sofrimento das criaturas que habitam este planeta não é algo menos importante. Os gnósticos souberam evitar a armadilha de alguns sofismas como negar a existência do mal, vendo-o como simples ausência de bem, ou de lançar a culpa de tudo de ruim que acontece no mundo nas costas do ser humano. Talvez o gnosticismo tenha nascido mais de uma intuição, de um sentimento de que alguma coisa estava, e está errada, no mundo. [Read more…]

Uma perspectiva metafísica sobre o aborto e a embriologia

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“Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos nem por causa dos vivos.”

“Nunca houve tempo em que eu não existisse, nem tu, nem algum desses príncipes – nem jamais haverá tempo em que algum de nós deixe de existir em seu Ser real.”

“O verdadeiro Ser vive sempre. Assim como a alma incorporada experimenta infância, maturidade e velhice dentro do mesmo corpo, assim passa também de corpo a corpo – sabem os iluminados e não se entristecem.”

Bhagavad-Gîtâ

Um dos temas mais desafiadores para quem lida com Bioética é a questão do aborto, que envolve o status moral do feto, uma abordagem às vezes metafísica da embriologia, e que nos leva a muitas polêmicas entre ciência e religião. Recentemente, através da leitura da obra de James Wilberding Formas, Souls and Embryos, fiquei fascinado por como os neoplatônicos entendiam o desenvolvimento do embrião humano. O autor fez um trabalho excelente em fornecer dados pouco acessíveis para um tema bastante atual, e com isso ajudou muito em ampliar o nosso campo de visão sobre o tema. É claro que os neoplatônicos possuíam um ponto-de-vista inteiramente metafísico sobre a embriologia, o que não poderia ser diferente, haja visto os meios precários ou inexistentes que havia na época. [Read more…]

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

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Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

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Schopenhauer e o Espírito do Cristianismo

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Texto extraído do livro O Mundo como Vontade e Representação- Volume 2 ( Editora Dover Publications). Fiz a tradução pois esta obra não foi traduzida ainda para o português. ( págs 620 à 622 )

“O que é oposto ao espírito do Cristianismo é sempre e em todo o lugar o Antigo testamento com sua ideia de que tudo o que Deus fez é bom. Isto aparece particularmente naquele importante terceiro capítulo do Stromata de Clemente de Alexandria. Argumentando contra os heréticos Encratitas, ele sempre os confronta com o judaísmo e sua história otimista a respeito da criação, cuja tendência de negação do mundo do Novo testamento está certamente em contradição. Mas a conexão do Novo testamento com o Antigo é, no fundo, apenas um fato forçado, externo e acidental, e, como eu disse, isto ofereceu um único ponto de contato com o Cristianismo, que é a história da Queda, a qual, no entanto, no Antigo Testamento está completamente isolada e não é mais utilizada. Ainda assim, de acordo com a narrativa do evangelho, são apenas os seguidores ortodoxos do Antigo Testamento que causam a crucificação do Fundador, porque eles consideram que ensinamentos do salvador estão em contradição com os seus próprios.

No caso mencionado acima do terceiro livro do Stromata de Clemente, o antagonismo entre o otimismo aliado ao teísmo de um lado, e o pessimismo aliado ao ascetismo de outro, fica claro com uma surpreendente clareza. Este livro de Clemente é direcionado contra os gnósticos, que pregavam precisamente o pessimismo e o ascetismo (particularmente a abstinência, especialmente da prática sexual); por esta razão, Clemente vigorosamente censura-os; mas ao mesmo tempo fica aparente que o espírito do Antigo Testamento permanece em seu antagonismo com o do Novo. Com a exceção da Queda, que aparece no Antigo Testamento como um hors d’oeuvre, o espírito do Antigo Testamento é diametralmente oposto ao do Novo Testamento: o primeiro é otimista; o segundo é pessimista. Esta contradição é trazida por Clemente no final do capítulo 11, apesar de que ele não vai admitir, mas declara que é apenas aparente, como um bom judeu que ele é. De maneira geral, é interessante de ver como em Clemente o Antigo e o Novo Testamento estão sempre misturados, e como ele luta para reconciliá-los, ainda que ele sempre conduza o Novo Testamento a partir do Antigo.

Logo no começo do terceiro capítulo do Stromata ele faz objeção aos Marcionitas por eles terem achado uma falta na Criação, da mesma forma que Platão e Pitágoras, pois Marcião ensina que a natureza é má e feita de um material ruim; dessa forma esse mundo não deveria ser povoado, mas o ser humano deveria evitar o casamento. A partir de agora, Clemente- para quem o Antigo Testamento geralmente é muito mais simpático e convincente que o Novo- leva isso adiante de maneira muito inapropriada. Ele vê na atitude dos Marcionitas uma ingratidão, inimizade e um ressentimento Àquele que fez o mundo, ao Demiurgo, cuja obra eles fazem parte. Em sua rebelião ateia, “abandonando sua disposição natural”, eles desprezam fazer o uso das outras criaturas. Aqui em seu ardor santo ele não permite aos Marcionitas nem a honra de terem sido originais, mas, armado com sua bem conhecida erudição, ele os repreende e busca apoio em sua tese com as mais sofisticadas citações dos antigos filósofos, ou seja, de Heráclito e de Empédocles, de Pitágoras e Platão, Orfeu e Píndaro, Heródoto e Eurípedes, e ainda as Sibilas, sendo que todos esses filósofos deploravam profundamente a natureza miserável de nosso mundo e, assim, ensinaram o pessimismo.

Clemente não consegue perceber que em seu entusiasmo acadêmico ele está precisamente fornecendo grãos para o moinho dos Marcionitas, porque ele mostra que “todos os sábios de todas as eras” ensinaram e cantaram a mesma coisa que o grupo de heréticos que ele está combatendo. Pelo contrário, ele de maneira confiante e ousada cita as mais decididas e enfáticas expressões dos antigos naquele sentido. É claro, ele não se sente desencorajado por eles; os sábios podem lamentar a natureza melancólica da existência; poetas podem derramar as mais comoventes lamentações sobre isso; a natureza e a nossa experiência podem gritar para sempre contra o otimismo; tudo isso não perturba o nosso Padre da Igreja. Ele ainda mantém a sua revelação judaica na mão e permanece confiante. O Demiurgo fez o mundo, e isto é uma certeza excelente e a priori, não importa o que pareça. É que acontece com os Marcionitas, que, de acordo com Clemente, revelam sua ingratidão e geniosidade com o Demiurgo com a rejeição de sua obra. Os poetas trágicos já haviam pavimentado caminho para os Encratitas (em detrimento de sua originalidade), dizendo as mesmas coisas. Assim, eles lamentam a infinita miséria da existência e adicionam a isso que é melhor não trazermos nenhum filho a tal mundo. Novamente, ele mantém sua opinião com as mais belas passagens, e ao mesmo tempo acusa os Pitágoricos de terem renunciado ao prazer sexual por esta razão. Tudo isso, entretanto, não o preocupa de forma alguma. Ele adere ao seu princípio de que através da abstinência de alimentos ou de sexo, todos esses grupos pecam contra o Demiurgo, pois eles pregam que não devemos nos casar, ter filhos, nem trazer novos seres miseráveis ao mundo, dessa forma não produziríamos forragem fresca para a morte. Quando o douto Padre da Igreja denuncia tudo isso, ele não aparenta ter uma premonição que, pouco tempo depois dele, o celibato do clero cristão seria introduzido cada vez mais até que, finalmente no século XI seria transformado em lei, pois isto seria feito dentro do espírito do Novo Testamento. É precisamente esse espírito que os gnósticos captaram mais profundamente e o entenderam melhor que o nosso Padre da Igreja, que era muito mais um judeu do que um cristão.”

Para compreender melhor essa passagem, acrescento o que Schopenhauer escreve algumas páginas antes ( pág 617) sobre o casamento.

“No Cristianismo, o casamento é tido como uma simples concessão, ou seja, um compromisso com a natureza pecaminosa do homem, dessa forma, o casamento é permitido àqueles que não possuem a força necessária para buscarem o que é mais elevado ( a castidade ), e também é utilizado como expediente para prevenir uma perdição maior. Neste sentido, recebe sanção da Igreja para que o laço entre o casal seja indissolúvel. Entretanto, a virgindade e o celibato são colocados como muito mais importantes e em um nível muito mais alto de inspiração para o Cristianismo, pelo qual aquele que faz seus votos entra na fileira dos eleitos. Através disso somente a pessoa consegue a coroa da vitória, que é indicado ainda nesse tempo por uma grinalda no caixão daquelas que não se casaram, da mesma forma que a grinalda é  colocada de lado pela noiva no dia do seu casamento.”

 

Platão e o neoplatonismo contra o evolucionismo de Darwin

 

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car c’est de la que tout commence à tendre vers ici-bas ses rayons admirables, de là que jaillit la generation de la matière avec ses formes varièes et multiples

Porque é a partir de lá que começa a tender para aqui abaixo seus raios admiráveis, daí a geração da matéria com suas formas variadas e múltiplas.

Oráculos Caldeus

O célebre Eriképaios, que carrega Métis, a semente dos Deuses.

Orphica

 

O filósofo platônico inglês Thomas Taylor definiu bem o perigo da “ciência apegada excessivamente à experiência, que afasta a mente da especulação da essência, lançando o espírito em nada além do reino da matéria escura e deformada, o reino da ilusão e do não-Ser” (1801, p.152).

Este alerta de Taylor funciona muito bem para a pretensa ciência do Evolucionismo darwinista. Poucas teorias causaram tanto impacto, e ao mesmo tempo, diante de sua incrível ambição, que vai muito além da “ciência”, mas atravessa também questões morais, filosóficas e religiosas, possui tão poucas evidências de sua validade e é terrivelmente mal explicada. [Read more…]

Resenha: Fragmentos sobre a história da filosofia, de Arthur Schopenhauer

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Fragmentos sobre a história da filosofia é um dos capítulos da obra de Schopenhauer ( Parerga e Paralipomena ). Esta última garantiu ao filósofo a fama que ele tanto desejava. Escrito com o estilo agradável que é o hábito de Schopenhauer, neste volume da edição da Martins Fontes encontram-se dois ensaios: esboço de uma história da doutrina do Ideal e do Real e os Fragmentos sobre a história da filosofia. No segundo ensaio, Schopenhauer deixa claro que estudar a história da filosofia não é fazer filosofia. Para ele, se quisermos entender filosofia devemos ler as obras originais dos filósofos, e nunca o resumo de terceiros. [Read more…]

Resenha: A Quádrupla Raiz do Princípio da Razão Suficiente, de Arthur Schopenhauer

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Se Platão e Kant já haviam defendido a existência de um conhecimento a priori, Schopenhauer acredita que deu uma grande ( e a melhor ) contribuição para o chamado Princípio de Razão Suficiente. Com sua linguagem clara e de uma beleza só superada pela de Platão, Schopenhauer rejeita as filosofias de  Hegel,Schelling e Fitche, e considera que ele é o continuador da tradição kantiana. [Read more…]

Resenha: Os Buddenbrooks, de Thomas Mann

Budenbrooks

Excelente livro escrito por Thomas Mann em sua juventude, que garantiu-lhe o prêmio Nobel em literatura em 1929, os Bruddenbrooks é um romance, que como diz o subtítulo, trata da decadência de uma família burguesa alemã do século XIX. No início, a família constrói uma sólida reputação comercial com o patriarca Jean. Com o decorrer da narrativa, o foco passa a ser as vidas dos filhos do patriarca, que são Thomas, Christian e Antonie. Há um tom de pessimismo em toda a obra por uma influência do filósofo Arthur Schopenhauer no jovem Mann. Os personagens têm um tom trágico que revelam o sofrimento inerente à vida. Antonie quer uma vida confortável e de luxo, mas todas as suas ações são desastradas. Christian é irresponsável e preguiçoso, e termina o romance de maneira sofrida e lamentável. Thomas é o responsável por manter a firma da família funcionando e é o personagem mais complexo. Pude identificar nesse personagem um tom de Machado de Assis. Isso se deve, é claro, pela influência de Schopenhauer na obra dos dois grandes autores. Thomas percebe o mundo caindo à sua volta por causa dos sucessivos fracassos de seus irmãos. Ele vai se tornando cada vez mais cínico e pessimista com o desenrolar da história. A semelhança com o Bentinho de Dom Casmurro é evidente na maneira como Thomas se relaciona com seu filho Hanno, por causa da frieza com que esse trata seu filho. [Read more…]

O Sofrimento no Mundo Animal, por Arthur Schopenhauer

Leão e Javali

“Nós veremos mais tarde, a partir de um alto ponto de vista, que é possível justificar os sofrimentos da humanidade. Mas esta justificação não pode ser aplicada aos animais, cujos sofrimentos, que em grande medida são trazidos pelo ser humano, são frequentemente consideráveis mesmo à parte de seu agente. E assim nós somos forçados a perguntar, por que e para qual propósito todo este tormento e agonia existem? Não há nada aqui para dar à vontade uma pausa; não é livre para negar a si mesma e assim obter a redenção. Há apenas uma consideração que pode servir para explicar o sofrimento dos animais. É a seguinte: que a vontade de viver, que fundamenta todo o mundo fenomênico, deve, em seu caso,satisfazer seus desejos alimentando-se de si mesma. Isto forma uma gradação do fenômeno, no qual todos existem ao custo de outro.”

Arthur Schopenhauer- Do sofrimento do mundo.