Sobre o quinto livro do De Divisione Naturae de João Escoto Erígena

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Exivit igitur a Patre et venit in mundum, humanam videlicet naturam accepit in qua totus mundus subsistit; nihil enim in mundo est quod non in humana natura comprehendatur : et iterum reliquit mundum et ivit ad Patrem, hoc est humanam quam acceperat naturam, super omnia visibilia et invisibilia, super omnes virtutes coelestes, super omne quod dicitur et intelligitur, suae deitate quae Patri est aequalis, adunans sublimavit. Quanquam enim totam humanam naturam, quam totam accepit, totam in seipso et in Toto humano genere totam salvavit; quosdam quidem in pristinum naturae statum restituens, quosdam vero per excellentiam ultra naturam deificans: in nullo tamen nisi in ipso solo humanitas deitati in unitatem substantiae adunata est, et in ipsam deitatem mutata omnia transcendit.

 

E Ele saiu do pai e veio ao mundo, e tomou para si a natureza humana no qual todo o mundo subsiste, e não há nada na natureza humana que não compreenda. E novamente ele saiu do mundo e foi para o Pai, ou seja, a natureza humana que recebeu, acima de todas as coisas visíveis e invisíveis, acima de todas as virtudes celestes, sobre tudo aquilo que é dito e compreendido, sua divindade que é igual à do Pai, na união sublimou-se. Ao mesmo tempo, para a totalidade da natureza humana, à qual recebeu, ele salvou todo o conjunto da raça humana em si mesmo: para alguns, deve ser restaurado seu estado original na natureza; em outros a excelência está na deificação; no entanto, de modo algum a humanidade em si é unida em uma substância única, mas transcendemos todos na Divindade.

João Escoto Erígena, De Divisione Naturae, Quinto Livro. [Read more…]

Sobre a filosofia de Aristóteles segundo Werner Jaeger

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Devemos reconhecer que existe algo de extraordinário ao lermos o Aristóteles de Werner Jaeger (como também as interpretações neoplatônicas do Estagirita): vermo-nos livres de abordagens dogmáticas e mistificadoras de apologistas católicos (jesuítas, tomistas e neotomistas)! [Read more…]

Resenha: Sagarana, de João Guimarães Rosa

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Sagarana é o romance inaugural de Guimarães Rosa publicado em 1946, dez anos antes de Grande Sertão: Veredas. Nos diversos contos que fazem parte do livro, Rosa reproduz a linguagem do homem simples do sertão brasileiro, mas com a característica incomum em escritores brasileiros de tentar alcançar o universal, ou seja, de falar de temas presentes no espírito da humanidade em qualquer canto do mundo. [Read more…]

Resenha: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

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Lima Barreto foi um dos nossos grandes escritores, e sua obra pode ser considerada extremamente atual para os nossos dias. De linguagem simples, sem pedantismos, Lima Barreto sempre denunciou duas coisas que são verdadeiras pragas da vida do brasileiro: o racismo e a mediocridade. [Read more…]

A História Cultural da Rússia segundo Orlando Figes

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Um país gigantesco, com mais de 1000 anos de história e uma incrível diversidade de etnias e culturas. A desafiadora tarefa de escrever uma história cultural sobre uma nação tão ampla e um período tão dilatado requer uma grande experiência e um domínio respeitável de conhecimento sobre as tradições da Rússia. Coube a Orlando Figes, historiador britânico e especialista em história russa, a missão de escrever um livro magnífico como é Natasha’s Dance- a Cultural History of Russia, obra que analisa a cultura russa desde o século X até o período soviético. [Read more…]

Sobre o pensamento político de Nicolau Maquiavel

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Em tempos sombrios como o que estamos vivendo em nosso país, nada melhor que nos voltarmos para o estudo da ciência política para uma melhor compreensão das ações de qualquer governo. Como afirmou São Tomás de Aquino em seu Comentário à Ética a Nicômaco, “a ciência política dá ordem sobre quais ciências devem ser buscadas em um Estado, quais ciências o homem deve aprender e por qual período”. Sem uma ciência política adequada, como as outras ciências ou a educação poderão florescer em um Estado?

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Resenha: Là-bas, de Joris-Karl Huysmans

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Resenha escrita a partir da edição original em francês.

Pouco conhecido no Brasil, o escritor francês Jori-Karl Huysmans colocou na forma de romance sua descida pessoal aos subterrâneos não somente da sociedade francesa do século XIX, mas também da própria alma humana. O romance Là-bas reproduz o tema do satanismo e sua presença em um mundo moderno já tomado pelo Positivismo. Aliás, o século XIX foi o século otimista e racionalista por natureza, mas a presença de algumas trevas da Idade Média ainda se faziam presentes. [Read more…]

Resenha: The Destruction of Reason, de György Lukács

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O historiador de origem húngara John Lukacs, compatriota do filósofo György Lukács, em seu livro O Hitler da História, afirma que The Destruction of Reason é o livro mais fraco do filósofo húngaro de inegável talento. O historiador Lukacs é confessadamente conservador, ao contrário do filósofo Lukács, que foi um dos grandes intelectuais do marxismo. Não conheço em toda sua extensão a obra do filósofo marxista, mas, comparando The Destruction of Reason com os outros livros de Lukács, creio que ele está dentro do mesmo nível tanto em seus erros como em suas verdades. [Read more…]

Problemas e possibilidades do transumanismo

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Felipe  Pimenta

 

“Trasumanar significar per verba

non si poria; però l’essemplo basti

a cui esperienza grazia serba.”

Dante Alighieri, Paradiso, Canto I

 

Resumo: O trabalho pretende abordar algumas visões de representantes do movimento Transumanista e apontar problemas éticos e metafísicos que surgem a partir disso. Também irá analisar o conceito de evolução da humanidade e a concepção Transumanista. A tentativa de criar um novo ser humano, mesmo que seja com intenções nobres, tais como o prolongamento da vida, o combate às doenças e uma inteligência expandida, deve ser possível em termos éticos e metafísicos.

Palavras-Chave: Transumanismo. Bioética. Nicolau de Cusa. Proclo. Hegel. [Read more…]

Resenha: From Aristotle to Darwin and Back Again, de Étienne Gilson

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A verdadeira missão da Filosofia: o pensamento sobre o próprio pensamento e o questionamento das razões da ciência.

Poucos filósofos ou intelectuais possuem a coragem de questionar a assim chamada Teoria da Evolução que, mais do que simplesmente uma hipótese científica (ou pseudocientífica), virou já um dogma religioso. Louvemos, portanto, a bravura do filósofo francês Étienne Gilson, que escreveu esse livro numa época em que tal dogma era ainda mais inquestionável. [Read more…]